Pais e professores decidem como será nova grade curricular

As 6.100 escolas públicas estaduais têm até sexta-feira para sugerir como será o modelo da grade curricular adotado no ano que vem. Entre as propostas analisadas está a que inclui as disciplinas de filosofia, sociologia e psicologia no ensino médio e prevê a diminuição da quantidade de aulas de outras disciplinas. Mais uma mudança possível será o aumento do número de aulas diárias, de cinco para seis, por exemplo, no período diurno. É a primeira vez que a rede escolar participa da discussão por meio do conselho de escola - formado por diretores, professores, funcionários, pais e alunos. Para o secretário do Estado da Educação, Gabriel Chalita, a melhor proposta para o ensino médio é a que dá liberdade a cada escola de escolher quais matérias devem ser oferecidas com mais ou menos freqüência. A autonomia valeria para o 2.º e 3.º anos. "Se a escola chegar à conclusão que quer dar ênfase a exatas, por exemplo, a gente tem de respeitar essa decisão. Muitos países já vêm trabalhando com essa liberdade curricular", disse Chalita. Hoje, todas as escolas da rede são obrigadas a ministrar o mesmo número de aulas de cada matéria, sem considerar eventuais deficiências dos estudantes em alguma área do conhecimento. "O que dá qualidade não é apenas a quantidade da aula, mas capacitação e investimento", afirmou. Embora o secretário tenha dito que "nenhuma das propostas atinge português ou matemática", sua assessoria afirmou mais tarde que caso alguma escola julgue que os alunos já apresentem bom desempenho nessas ou em quaisquer outras disciplinas, elas poderão reduzir sua carga horária para dar lugar a alguma das novas matérias. A proposta que permite isso exige a manutenção de um número básico de aulas de todas as matérias. Sindicatos ligados à área da educação elogiam a introdução das matérias, mas defendem um aumento da carga horária diária. O período diurno tem hoje cinco horas e o noturno, quatro. Segundo Chalita, caso a maioria dos conselhos vote por um aumento, será preciso consultar a secretária da Finanças para avaliar o impacto financeiro da medida. A secretaria apresentou às escolas duas propostas curriculares para o ensino fundamental e quatro para o médio. Após a decisão do conselho, o diretor de cada escola votará pelo site da secretaria. O resultado deve ser divulgado até o fim do mês.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.