Pais descobrem que filha de 11 anos não é deles

A polícia de Sertãozinho, no interior paulista, abriu inquérito hoje para apurar a possível substituição de um recém-nascido, que teria ocorrido em abril de 1992. Depois de 11 anos criando uma menina, os pais descobriram, através de um exame de DNA, que ela não é filha deles. A direção da Santa Casa acha remota a possibilidade de troca de bebês, pois alega que existe um controle rigoroso na maternidade, que registra mais de 250 nascimentos mensais.O recepcionista de supermercado Sidnei Rodrigues Santana, de 30 anos, descobriu, por acaso, quando a menina tinha 3 anos, ao fazer um exame de sangue para admissão num emprego, que o seu tipo sangüíneo (O negativo) não era compatível com o da filha (A positivo). A mulher, Simone Rodrigues, hoje com 27 anos, tem sangue tipo O positivo. Ele ficou desconfiado de que fora traído e separou-se de Simone. Santana entrou com um processo de investigação de paternidade e o seu sobrenome foi retirado da certidão de nascimento da menina.Neste ano, incomodada com a situação, de "consciência limpa", como diz, e sem saber o que responder à menina (sobre quem era seu verdadeiro pai), Simone procurou Santana para fazer o exame e acabar com as dúvidas, já que sempre afirmara que não o havia traído. Soube que também não era a mãe biológica dela. Quando teve o resultado do DNA, Santana procurou a Santa Casa. Ele afirma que não teve retorno e decidiu registrar boletim de ocorrência.O delegado de Sertãozinho, na região de Ribeirão Preto, Armando Luiz Acquaro, vai pedir ao hospital que informe os nomes das gestantes que deram à luz à uma menina no 21 de abril de 1992. As mães serão ouvidas e o exame de DNA será solicitado. "Vou processar a Santa Casa", afirmou Santana.Ele procurou no cartório de Sertãozinho os nascimentos ocorridos naquela data. Três meninas, além da que está criando, nasceram e foram registradas naquele dia. Ele procurou pessoalmente duas mães. Encontrou uma que, embora descarte a troca, se prontificou a fazer o exame de DNA. Outra reside em Goiás e avó da criança tem dúvidas se ela teria nascido em Ribeirão Preto ou Sertãozinho.Tanto Santana quanto Simone querem saber do paradeiro da verdadeira filha, mas, devido aos laços afetivos criados com a menina que estão criando, descartam uma nova troca. No final de tudo, Santana quer até devolver o seu sobrenome à menina. Ele casou-se e separou-se novamente. Simone casou com outro home e mantém o relacionamento até hoje. "Esse caso acabou com uma família", lamenta Santana.

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