País conviverá com apagões até 2003

O governo prevê que o racionamento - em forma de apagões programados em todo o País - deve ocorrer entre junho e novembro deste ano. Mas especialistas e empresários já advertem: os cortes devem se estender, pelo menos, até o início de 2003.Para o vice-presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia, Eduardo Spalding, não há como o racionamento terminar antes do próximo ano. "Temos, pelo menos, de esperar até as chuvas de dezembro e janeiro."O professor da Faculdade de Engenharia Elétrica da Universidade de Campinas (Unicamp), Secundino Soares Filho, garante que dizer que o racionamento vai durar somente até novembro não passa de uma tática do governo, que "nunca conta a má notícia de uma vez só".O especialista em gerenciamento de reservatórios é pessimista nas previsões: "O ano de 2002 inteiro não escapará do racionamento". Segundo ele, o sistema hidrelétrico está vazio - opera com 30% da capacidade - e perdeu eficiência."O sistema é feito para funcionar cheio. Quanto mais forte a queda de água, mais eficiente é a produção de energia." Por isso, explica o professor, as hidrelétricas estão gastando mais água para produzir igual quantidade de energia. "Se não tiver um bom regime pluviométrico no próximo ano e não começarem a ser feitos investimentos no setor elétrico, teremos muitos problemas."E investimento revertido rapidamente em energia significa investir em usinas térmicas, que levam, em média, dois anos para serem construídas e entrarem em operação. Elas representam a solução mais fácil para o problema energético nacional.Mas ainda assim não será fácil. O governo tinha previsto a operação de 49 usinas térmicas - que já deveriam estar em funcionamento há dois anos. Mas tudo está parado, já que ainda não foi decidido o preço do gás.

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