Painel do Senado é vulnerável, admite fabricante

A empresa fabricante e a que atualmente faz a manutenção do painel de votação do Senado confirmam: tecnicamente, o sistema permite alterações de software que possibilitariam quebrar o sigilo do voto secreto. Alterando o programa, seria possível até mesmo mudar o próprio resultado das votações. Mas apenas o relatório da perícia que está sendo realizada para apurar o caso poderá comprovar se essas modificações foram mesmo realizadas.A Panavídeo Eletrônica, responsável pela manutenção, e a Elizeu Kopp, que desenvolveu o sistema, negam que tenham feito alteração que possibilitasse a fraude. Todas as mudanças no programa do painel foram acompanhadas e aprovadas por técnicos do Serviço de Processamento de Dados do Senado (Prodasen).Hoje foi anunciado o afastamento da diretora-executiva do Prodasen, Regina Peres Borges. A suspeita de que o sigilo das votações foi quebrado surgiu a partir de declarações do ex-presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) a procuradores federais. ACM teria afirmado conhecer o voto contrário da senadora Heloísa Helena (PT-AL) à cassação do ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF). ?O que deixa sob suspeição o processo de votação secreta é o fato de que a empresa de manutenção foi trocada no ano passado sem licitação e sem qualquer aviso prévio?, afirmou o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA).Barbalho garante que o afastamento de diretora do Prodasen não tem relação com o caso. O órgão teria funcionamento praticamente autônomo e precisaria estar mais integrado à estrutura administrativa da Casa. ?Para isso, nomeei um técnico para o cargo, numa decisão meramente administrativa?, disse. O novo diretor é Kleber Gomes Ferreira Lima.

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