Pai de sócio da Vicatur nega oferta de delação premiada

Jorge Soares Ribas, pai de Fernando Ribas, principal sócio da agência de câmbio Vicatur de onde a Polícia Federal diz ter saído parte do dinheiro que seria usado para compra do dossiê contra tucanos, garantiu jamais ter ouvido da PF proposta para que o filho revelasse, em troca do benefício da delação premiada, quem encomendou os dólares para a negociação."Não estou sabendo disto, pensei até que já estávamos esquecidos", surpreendeu-se Jorge Ribas ao ser procurado nesta sexta pelo Estado. A delação premiada só pode ser concedida por um juiz e é um instrumento jurídico usado quando o réu revela o nome de outras pessoas que participaram do crime em troca de redução na sua pena. Ele acompanhou o filho na PF na semana passada, servindo, inclusive, como testemunha nos depoimentos dados ao delegado Diógenes Curado: "Quando estive presente nos depoimentos não houve esta proposta. Meu filho não dará declaração, quem fala é o advogado dele",disse. Além do depoimento do filho, o advogado Ribas presenciou os interrogatórios da sócia de Fernando na Vicatur, Sirley da Silva Chaves, e de dois funcionários da agência, tomados no Rio pelo delegado da Polícia Federal, Diógenes Curado.Jorge Ribas não quis adiantar a posição que o filho possa tomar caso o benefício da delação - que ele negou ter existido - vier a ser oferecido. "Não sei qual é a estratégia que eles (o filho e o advogado Ubiratan Guimarães Cavalcanti, responsável pela defesa de Fernando) adotaram. Só sei que ele não tem culpa. E isto é tudo". O advogado de Fernando Ribas, Ubiratan Guimarães Cavalcanti, não quis comentar o assunto, alegando o sigilo do inquérito. "Sou conselheiro da OAB e da Comissão de Ética da Ordem, não posso comentar um processo em segredo de Justiça. O que meu cliente tinha a declarar o fez às autoridades, explicando tudo". Fernando não foi encontrado ontem em sua residência.Segundo a Polícia Federal, o benefício da delação premiada teria sido oferecido a Fernando na semana passada, em conversa dele com policiais. Investigações da PF concluíram que a casa de câmbio Vicatur se valeu de famílias de laranjas para conseguir US$ 109,8 mil dos US248,8 mil encontrados com os petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha para a compra do dossiê.

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