Pai de Jader não deve assumir suplência

Se o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) renunciar ao mandato, seu pai, Laércio Barbalho, que é o primeiro suplente, não deve assumir. O mesmo pode acontecer com o segundo suplente, Fernando de Castro Ribeiro, ex-secretário de Jader e acusado de ser um dos principais envolvidos nos desvios do Banco do Estado do Pará (Banpará). Se nenhum dos dois quiser ocupar a vaga, haverá uma nova eleição para senador e, caso Jader queira ser novamente candidato, poderá fazê-lo, desde que não tenha seus direitos políticos cassados. Há dois meses, Laércio foi internado por problemas cardíacos e confirmou que não pretende assumir a vaga do filho. "Já dei minha contribuição à política", afirmou Laércio, em julho deste ano.O pai do ex-presidente do Senado foi deputado estadual e hoje é funcionário aposentado dos Correios e Telégrafos, além de superintendente do jornal Diário do Pará e da Rede Brasil Amazônia (RBA), a emissora de televisão da família. Como aconteceu com Jader, seu segundo suplente, Fernando de Castro Ribeiro, poderá ser alvo de investigação do Senado relacionada ao Banpará. Segundo levantamento feito pelo Ministério Público Federal e pela comissão de investigação do Conselho de Ética, Castro Ribeiro recebeu 16 rendimentos de aplicações feitas com cheques administrativos do Banpará, totalizando mais de R$ 447 mil, em valores atuais. Na época ele era secretário particular de Jader e movimentava transações financeiras no mesmo banco do senador, no Rio de Janeiro. "Secretário particular do então governador em dois mandatos, Ribeiro teria comprado um avião bimotor Baron, prefixo PT-JTN, avaliado hoje em R$ 500 mil e vendido a aeronave para Jader Barbalho pelo preço de R$ 20 mil", acusa o relatório feito pela comissão de investigação, que dedica vários trechos sobre o suplente do ex-presidente do Senado.Confirmada a possibilidade de nenhum dos dois suplentes assumir o posto e Jader efetivar a renúncia, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) convoca uma nova eleição, na qual o próprio Jader poderá ser candidato. Com isso, ele, caso fosse eleito, manteria sua imunidade e ganharia mais tempo para poder se defender das acusações sobre os desvios do Banpará, as fraudes na extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e a venda irregular de Títulos da Dívida Agrária (TDAs). A dúvida é se o processo que hoje tramita no Senado contra ele - e que será arquivado em caso de renúncia - poderá ser reaberto caso Jader reassuma com um mandato tampão.

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