Pagot nega ligação entre doações de campanha e contratos com Transportes

Em audiência no Senado, diretor afastado por suspeitas de participação em esquema de fraudes em ministério afirma que acusações de favorecimento são mentirosas

Andrea Jubé Vianna

12 de julho de 2011 | 12h21

Brasília - Em depoimento no Senado nesta terça-feira, 12, o diretor afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transporte (Dnit), Luiz Antonio Pagot, negou que haja qualquer relação entre "doadores de campanha e aditivos de contratos" nas obras conduzidas pelo órgão. Pagot negou, sobretudo, que tenha declarado que recursos doados ao PR tenham sido redirecionados à campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff. "É mentira", protestou o diretor-geral do órgão.

 

A ida de Pagot, afastado do cargo pela presidente Dilma Rousseff, ao Senado era esperada desde a semana passada, quando líderes da oposição o convidaram a explicar as suspeitas de um suposto esquema de fraudes em licitações no ministério dos Transportes. Em sua fala, Pagot ressaltou que o DNIT administra neste momento 1.156 contratos de obras em execução, dos quais o Tribunal de Contas da União (TCU) fiscaliza, pelo menos, 400. Nesse cenário, ele afirmou que, "se algum malfeito ocorre", imediatamente os órgãos de controle acionam o órgão para que sejam feitas as correções devidas. Segundo Pagot, ocorre sistematicamente uma confusão entre sobrepreço, superfaturamento e aditivos contratuais. Ele ressaltou que, no caso dos aditivos, por exemplo, são obrigatórios porque a lei determina que os preços das obras sejam atualizados anualmente.

 

O líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), ressaltou, contudo, que os preços das obras no Brasil são muitos superiores àqueles praticados em outros países. "É ingenuidade esperar que a gente acredite que tudo que se fez foi correto, os preços estão inflados demais e provocam irritação em todo mundo", criticou o tucano, ressaltando que "uma obra de 17 quilômetros não pode custar R$ 300 milhões".

 

Paulo Bernardo. Pagot fez defesa do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, durante a audiência e negou que Bernardo, quando ministro do Planejamento, tenha feito pedidos a ele para fazer aditamentos em obras do Dnit.

 

Declarações atribuídas a Pagot por aliados seus do PR davam conta de que o ministro teria feito pedidos ao diretor sobre obras no Paraná. Pagot tratou isso de "invencionice" e "factoide" e defendeu o ministro. "Ele (Paulo Bernardo) nunca me exigiu, nem pediu nada", declarou. O diretor citou exemplo de uma obra em Maringá, no Paraná. Pagot afirmou que quem fazia pedidos sobre a obra era o prefeito, Sílvio Barros (PP), e o ex-deputado Ricardo Barros (PP), e não o ministro.

 

O diretor destacou que participava de reuniões com Bernardo da mesma forma como ocorreria com outros ministros dentro do âmbito do comitê gestor do Plano de Aceleração do Crescimento. Pagot descreveu o ministro como "extremamente exigente", assim como sua esposa, Gleisi Hoffmann, atual ministra-chefe da Casa Civil.

 

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