Andre Dusek/AE
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Pagot constrói casa de R$ 2,5 mi no MT

Ex-comandante do Dnit, órgão que está no epicentro da crise nos Ministério dos Transportes, ergue imóvel de três andares em Cuiabá

Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2011 | 23h00

A multiplicação de escândalos que envolvem sua gestão no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) não inibem planos pessoais de Luiz Antonio Pagot para um futuro muito confortável. Em Cuiabá (MT), onde reside, ele constrói uma mansão de três andares.

 

São 614 metros quadrados de área distribuídos em três pavimentos, com três suítes, salas de estar e de jantar e áreas de lazer, afora espaçoso jardim.

 

O valor do casarão, depois de pronto, criou polêmica na cidade. Pelas contas do próprio Pagot, o imóvel vai valer R$ 700 mil. Corretores imobiliários, no entanto, estimam em R$ 2,5 milhões, aproximadamente, o preço da moradia, porque localizada em um bairro que deverá receber amplos investimentos e projetos de melhorias para breve.

 

A região, atualmente, é cercada de ruas de chão batido. Mas, em poucos anos, a prefeitura deverá abrir uma avenida por ali, prolongamento da Avenida das Torres. Uma universidade planeja instalar seu prédio nas cercanias do retiro de Pagot.

 

O endereço do novo lar do diretor do Dnit é na Rua 13, Quadra 18, lotes 9 e 10 do Parque Residencial Dom Bosco. O imóvel ocupa dois terrenos que ele afirma ter adquirido em 2003 ao preço de R$ 3,5 mil cada um.

 

A celeuma sobre a mansão de Pagot ganhou força depois que o site MidiaNews e o site do jornalista Marcos Antonio Moreira, o Villa, divulgaram detalhes do empreendimento.

 

O pavimento superior deverá ter 267 metros quadrados. Os inferiores terão, respectivamente, 186 e 158 metros quadrados. O MidiaNews destaca que o jardim da residência, segundo o projeto arquitetônico assinado por Nancy Rabello de Mello, terá 340 metros quadrados de extensão.

 

A Prefeitura de Cuiabá liberou em junho de 2010 o alvará de construção, número 5511.

 

Declarados. "Os dois terrenos bem como os gastos relativos às despesas da construção estão declarados no imposto de renda de dr. Pagot", informou João Gabriel Pagot, sobrinho e advogado do chefe do Dnit. "Em nenhum momento ele (Pagot) escondeu a construção das autoridades. Não há nada oculto."

 

João Gabriel rechaça suspeitas de que Pagot teria obtido informações confidenciais sobre projetos da prefeitura que poderão valorizar o bairro. "Dr. Pagot adquiriu os dois terrenos em 30 de dezembro de 2003, portanto muito antes de antes de assumir a direção do Dnit. A versão de que ele se valeu de dados privilegiados não corresponde. Como ele ia ter uma bola de cristal para saber que vai passar avenida?"

 

O advogado argumenta que "o valor do imóvel é calculado pelo metro quadrado". "Em 2009, quando iniciou a obra, o metro quadrado era mais barato. O saco de cimento era mais barato, a mão de obra também. Hoje o metro pode estar em R$ 1.500, não sei. Se vai ter melhorias no bairro ele (Pagot) não tem culpa."

 

Ele afastou a informação de que a obra estaria sendo tocada por empreiteira já contratada pelo Dnit. "A construção está sob responsabilidade de uma equipe, uma empresa."

 

Na quarta-feira, 20, por volta de 16 horas, Pagot chegou ao Hotel Meliá Tryp Convention, em Brasília. Do carro que ocupava retirou caixas de papelão e arquivos supostamente de seu gabinete no Dnit.

 

Sobre a mansão, o próprio Pagot, em nota, sustenta que "o terreno localiza-se em um bairro afastado dos grandes investimentos urbanos, em uma rua íngreme, sem asfalto, sem meio-fio, bem como sem iluminação pública". "Desde 14 de abril de 2009, de forma lenta e gradual, após contratação de empresa de arquitetura e projetos, constrói um imóvel residencial de 614 metros quadrados, tendo 340 metros quadrados de área permeável, respeitando os ditames da legislação municipal", diz o texto. "Jamais um imóvel deste porte, na periferia de Cuiabá, poderia custar R$ 2,5 milhões."

 

Ele informa que até agora gastou R$ 222 mil com o projeto e a empreitada da obra. "Já os gastos com materiais de construção atingem a monta de R$ 250 mil. Todos os gastos estão formalizados por instrumentos contratuais e recibos de pagamentos."

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