Paes reforça tese de candidatura própria do PMDB à Presidência, mas diz que agora é preciso ajudar Dilma

Paes reforça tese de candidatura própria do PMDB à Presidência, mas diz que agora é preciso ajudar Dilma

Reeleito em 2012 com 65% dos votos, prefeito do Rio não estimula as especulações de que poderá disputar o Planalto

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2014 | 20h34

RIO - Um dos principais cabos eleitorais da presidente Dilma Rousseff, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), reforça a tese da candidatura própria do partido à Presidência em 2018, mas insiste que a tarefa da legenda agora é ajudar a aliada a governar, sem perder a autonomia. Reeleito em 2012 com 65% dos votos, Paes não estimula as especulações de que poderá disputar o Planalto. Embora insista que está concentrado no atual mandato, tem planos de concorrer ao governo do Estado ou o Senado daqui a quatro anos. 

“É natural que o partido que quer ter candidatura própria indique pessoas que estão em destaque. Mas são coisas que não me envaidecem nem me emocionam”, disse o prefeito ao Estado. “Fiz uma promessa para minha mulher e meus filhos e quero passar alguns meses fora, logo depois que sair (da prefeitura). Depois, é natural que eu possa olhar para alguma coisa, (ser) candidato a governador, a senador. Estou concentrado no que faço. Não digo que não tenho outras ambições, outros sonhos.”


A candidatura própria a presidente foi defendida pelo governador reeleito Luiz Fernando Pezão no dia seguinte ao segundo turno. “Partido sem candidatura majoritária não é partido, nesse aspecto o PMDB falha. É óbvio que a gente tem de ter candidato em 2018, mas não é uma batalha que se trave agora. O PMDB tem de ajudar a presidenta Dilma, o governo tem enormes desafios e vai ter de fazer uma grande coalizão”, afirma o prefeito. 

Paes diz que aliança não significa submissão e minimizou a derrota imposta na terça-feira pelo PMDB a Dilma, na Câmara, com a aprovação de projeto que inviabiliza a criação de conselhos populares para formulação de políticas públicas, proposta pela presidente. “Ajudar o governo não significa se curvar, bater palmas para tudo. Não há mal se o PMDB pensa diferente de Dilma em relação aos conselhos populares. Uma chantagem não republicana é caso de prisão. Uma decisão como a dos conselhos é absolutamente normal”, disse Paes.

Na ONU ou no Vaticano. Sem perder a piada, Paes, carioca de 44 anos, comentou as especulações sobre seu futuro. “Dizem que serei (candidato a) secretário-geral da ONU, papa, presidente do Brasil, governador. Eu tenho o cargo mais fantástico. A Dilma e o Aécio se estapearam e eu tenho o melhor cargo do Brasil.”

Adversário ferrenho do PT durante a CPI que investigou o mensalão, em 2005, Paes trocou o PSDB pelo PMDB, conseguiu apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2008 e se tornou um aliado fiel de Dilma.

No início deste ano, quando parte do PMDB do Rio, sob comando do presidente regional, Jorge Picciani, retirou apoio à reeleição da presidente, em resposta à candidatura própria do PT para governador, Paes ficou ao lado da petista. Sustentou a tese de que Estado e município foram beneficiados pelas parcerias com o governo federal e que a aliança tem de continuar. Foi para a rua com Dilma e teve conversas frequentes com o marqueteiro João Santana. 

Preconceito. Paes critica a tese de que os votos da petista vêm dos pobres dependentes de programas sociais. “É uma visão preconceituosa. As pessoas não são burras”, diz. “Os ataques que ouvi contra a presidenta Dilma são assustadores. Você pode não gostar do penteado da presidenta ou achar que ela deve fazer mais estrada do que dar Bolsa Família. Mas não dá para dizer que é uma bandida, corrupta. Ela não é nada disso”, defende Paes, que se recusa a avaliar o escândalo de corrupção que envolve a Petrobrás, empreiteiras e partidos. “Estou voltado para a prefeitura”, justifica. 

O prefeito considerou legítimo o movimento “Aezão”, liderado por Picciani, que pregou o voto no candidato do PSDB a presidente, Aécio Neves, e na reeleição do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Quando a chapa lançou o ex-prefeito e vereador Cesar Maia (DEM), ex-aliado e hoje adversário, candidato ao Senado, Paes se insurgiu contra o que chamou de “bacanal eleitoral”. Trabalhou pela reeleição de Pezão, mas apoiou Carlos Lupi (PDT) para o Senado. “Discordei do apoio a Aécio, mas é justificável. O ‘Aezão’ é muito mais uma figura de retórica do que realidade”, diz. 

Para sua sucessão, em 2016, Paes quer o deputado Pedro Paulo (PMDB) como candidato oficial. No entanto, o presidente do PMDB-RJ tem plano de lançar o filho Leonardo Picciani, deputado federal reeleito. “Tem de respeitar se outras pessoas do partido têm esse desejo. Vamos decidir o procedimento para que isso se defina”, diz o prefeito. 

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