Paes enfrentará explosão nas despesas com dívida e pessoal

Estudos da equipe de transição no Rio estimam déficit de até R$ 300 mi

Wilson Tosta, RIO, O Estadao de S.Paulo

07 de novembro de 2008 | 00h00

Uma explosão de gastos com o pagamento da dívida municipal perante a União e aumentos das despesas de pessoal e custeio além da inflação esperam o futuro prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), e ameaçam suas promessas de campanha. Segundo o futuro secretário da Casa Civil, Pedro Paulo Carvalho, estudos preliminares da equipe de transição identificaram déficit na proposta orçamentária enviada pelo prefeito Cesar Maia (DEM). O projeto tramita na Câmara Municipal, mas o futuro prefeito quer mudá-lo."Ainda não são números absolutamente fechados, mas são algo em torno de R$ 200 milhões, R$ 300 milhões (de déficit). Pode ter sido um déficit trilhado a partir da insistência do prefeito em construir a Cidade da Música", afirmou Carvalho ao Estado, referindo-se ao complexo para espetáculos eruditos construído por Maia na Barra da Tijuca, por mais de R$ 500 milhões. O atual prefeito, em viagem ao Usbequistão e Polônia, diz que receitas e despesas estão equilibradas, mas recomenda vigilância sobre as contas por causa da crise mundial.O economista Luiz Mário Behnken, supervisor do Fórum Popular do Orçamento, entidade sediada no Conselho Regional de Economia do Rio, avalia que a administração de Maia já tinha problemas financeiros antes da crise mundial. "É um processo crescente na cidade, com dívida subindo e receitas que também crescem, mas não acompanham", analisa. Segundo ele, Maia, nos últimos anos, manteve investimentos, mas, para fechar as contas, contou com receitas extras. Vendeu a folha de pagamento da prefeitura ao banco Santander Banespa, por R$ 365 milhões, em 2006, e em 2007 recebeu verbas federais para bancar parte dos Jogos Pan-Americanos.De acordo com o Projeto de Lei Orçamentária de 2009, juros e encargos da dívida, este ano, consumiram R$ 534,8 milhões, e no ano que vem vão para R$ 714,78 milhões - mais 33,63%. A amortização passará de R$ 354,57 milhões para R$ 424,65 milhões, um salto de 19,76%. Ao todo, só com dívida, a cidade vai gastar mais 28,1% - R$ 249,9 milhões -, indo de R$ 889,46 milhões para R$ 1,13 bilhão. De 8,15% do Orçamento de R$ 10,9 bilhões de 2008, a dívida consumirá 9,41% das despesas do município segundo a proposta de Orçamento, com valor total de R$ 12 milhões.Paes já demonstra preocupação com possíveis constrangimentos orçamentários em 2009. "Pedimos que a equipe de transição pudesse participar das discussões sobre o Orçamento do ano que vem", afirmou, após reunião com vereadores eleitos.

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