Paes encontrará Lula, seu novo aliado, para buscar parcerias

Prefeito eleito do Rio vai a Brasília; ele promete que todos os 11 partidos que o apoiaram terão cargos

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

28 de outubro de 2008 | 00h00

Eleito prefeito do Rio com o discurso da união entre cidade, Estado e União, o ex-tucano Eduardo Paes, do PMDB, desembarca amanhã em Brasília para discutir parcerias com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-adversário e agora aliado. Hoje, reúne-se com o prefeito Cesar Maia (DEM), ex-aliado e agora adversário. "Vamos pressionar o presidente Lula, no bom sentido, desde o início, para trazer benefícios para o Rio", disse Paes. Ele mostrou que não vai decepcionar os aliados do primeiro e do segundo turno: prometeu cargos para as 11 legendas, além do PMDB, que o apoiaram. Paes, que na CPI do mensalão chamou o presidente de "chefe da quadrilha" e "psicopata", considerou o apoio de Lula "fundamental" para a vitória. "Sou muito grato ao presidente Lula e aqui ele terá um grande parceiro na Prefeitura do Rio de Janeiro", declarou. Apesar de Paes ter de abrigar tantos partidos no governo, o primeiro nome de sua equipe, anunciado ontem, não pertence a nenhuma legenda aliada. É o deputado estadual Pedro Paulo, do PSDB, que abriu uma dissidência entre os tucanos e foi um dos coordenadores da campanha do PMDB. O parlamentar será secretário da Casa Civil e também coordenará a transição. Entre as atribuições imediatas de Pedro Paulo está a elaboração de plano de redução de despesas para enfrentar a crise mundial. Apesar de prometer enxugamento, Paes manteve a promessa de construir 15 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) no primeiro ano de governo e de aumentar o número de guardas municipais. O mais provável é que o deputado Pedro Paulo deixe o PSDB para assumir a secretaria. O partido disputou a prefeitura em coligação com o PV do deputado Fernando Gabeira, derrotado no segundo turno. Candidato da vice de Gabeira, o presidente do PSDB carioca e líder da bancada tucana da Assembléia Legislativa, Luiz Paulo Corrêa da Rocha, disse que o partido não deverá autorizar Pedro Paulo a assumir o cargo. Se o dissidente insistir, poderá ser expulso. Em caso de desfiliação ou expulsão, ele perde o mandato de deputado. "Sou terminantemente contrário à participação de qualquer membro do PSDB no governo municipal. Vou convocar uma reunião do Diretório Municipal", disse Corrêa da Rocha. Sobre a divisão dos cargos, Paes não vê problema em contemplar os aliados - que vão do PC do B da ex-deputada Jandira Feghali ao PRB do senador e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus Marcelo Crivella. Também ganharão cargos, entre outros, o PT, o PTB, o PSB, o PP e o PDT. Segundo ele, os secretários terão carta branca para escolher os subordinados diretos. "O secretário sempre deve ter liberdade para designar seus assessores, seus auxiliares. Tenho horror de ficar nomeando as pessoas (dos escalões inferiores). Eu designo o secretário e ele comanda sua pasta. Se for bem, permanece. Se não for bem, vai para casa", disse Paes. O prefeito eleito disse que os escolhidos deverão ter "competência, capacidade de realizar e honestidade".Paes rejeitou o termo loteamento para a divisão dos cargos e disse não ser difícil agradar a tantos e tão diferentes partidos. O presidente do PT fluminense, Alberto Cantalice, não estranhou o anúncio de um tucano para a Casa Civil. "O deputado Pedro Paulo tem proximidade grande com o Eduardo Paes, é um direito dele escolher os secretários", disse o dirigente petista. Segundo Cantalice, o PT vai "esperar o convite" do futuro prefeito. "Estamos preparados para ocupar qualquer espaço, porque temos técnicos em várias áreas", afirmou Cantalice. As áreas de assistência social e infra-estrutura são as de maior interesse dos petistas. Paes, que prometeu que o primeiro secretário a ser anunciado seria o de Saúde, disse que escolherá o nome nos próximos dias. O prefeito eleito começou o dia de ontem com uma gravação para o programa humorístico CQC, da TV Bandeirantes. Deu uma série de entrevistas e almoçou com o governador Sérgio Cabral (PMDB).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.