Paes e Gabeira chegam às urnas em empate técnico, aponta Ibope

Na última pesquisa antes da eleição, candidatos do PMDB e do PV têm 45% e 44% das intenções de voto

Wilson Tosta, Luciana Nunes Leal e Alexandre Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

26 de outubro de 2008 | 00h00

Um Rio de Janeiro rachado - entre eleitores de classe média mais escolarizados e votantes pobres com pouco estudo - escolhe hoje entre Fernando Gabeira (PV) e Eduardo Paes (PMDB) quem será seu novo prefeito. Na disputa mais apertada desde o restabelecimento da eleição direta, em 1985, os dois chegam às urnas em empate técnico: Paes tem 45% das intenções de voto e Gabeira, 44%, segundo pesquisa Ibope encomendada pelo Estado e pela TV Globo.O levantamento foi feito entre sexta e sábado, com 2.002 eleitores. Em relação à pesquisa anterior, divulgada na quinta-feira, em que ambos apareciam com 43%, Gabeira e Paes oscilaram, respectivamente, um e dois pontos.O confronto no Rio opõe a base do governo federal, que apóia o peemedebista, e a oposição do PSDB e do DEM, que sustentam a candidatura do verde.O retrato da "luta de classes" na cidade foi evidenciado na pesquisa Ibope de 21 e 22 de outubro. Nos votos válidos - sem contar brancos, nulos e indecisos - Paes vencia no eleitorado feminino (54% a 46%) e entre os votantes com 50 anos ou mais (60% a 40%) e renda de até dois salários mínimos (63% a 37%). Já Gabeira é vencedor entre homens (55% a 45%), na faixa de 16 a 24 anos (61% a 39%) e que ganha mais de cinco salários mensais (62% a 38%).A divisão social e política se refletiu nos programas de TV e rádio. Gabeira encheu seu horário na TV de artistas, como Caetano Veloso (cantando Cidade Maravilhosa), Fernanda Abreu, Frejat e Paulinho Moska, além de imagens bonitas, com muito sol e pessoas sorridentes. A essa linguagem, Paes contrapôs um trabalho com imagens menos iluminadas da zona oeste, região mais pobre da cidade, onde o adversário se saiu pior."Governar não é passar quatro anos escutando Caetano cantando Cidade Maravilhosa", disse Paes, que repisou o discurso da aliança União-Estado-município, apresentando-se como arauto desse congraçamento.Os dois finalistas saíram das últimas posições, no primeiro turno. A liderança era ocupada pelo senador Marcelo Crivella (PRB), bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), que se situava na faixa de 25%, seguido da ex-deputada Jandira Feghali (PC do B), 15%.Crivella sofreu desgaste com o incidente que envolveu jovens do Morro da Providência, entregues a criminosos por militares do Exército que faziam a guarda de obra pedida pelo senador.Jandira caiu depois de perder a bandeira da saúde para Paes, beneficiado pela inauguração de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) pelo Estado. O candidato do PMDB, fortemente apoiado pelo governador Sérgio Cabral Filho, também se beneficiou, no primeiro turno, da ampla aliança. Já um movimento de classe média, nas últimas semanas, ajudou Gabeira. Paes conseguiu gravação de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem atacara durante o escândalo do mensalão. Na época, Paes era do PSDB e chegou a dizer que Lula chefiava um governo de ladrões. A maior resistência vinha da primeira-dama, Marisa Letícia, inconformada com os ataques a seu filho, Fabio Luiz da Silva, por ter feito negócio com a Telemar. Paes pediu desculpas e enviou carta para Marisa.A margem de erro da pesquisa Ibope, registrada na 228ª Zona Eleitoral do Rio de Janeiro sob o número 550/08, é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.

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