Paes busca dinheiro no exterior para o Rio

Em sua primeira reunião, prefeito recebeu o presidente do BID

Alexandre Rodrigues, RIO, O Estadao de S.Paulo

03 de janeiro de 2009 | 00h00

Depois de tomar posse com um pacote de medidas com o objetivo de economizar R$ 1,5 bilhão, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), dedicou o seu primeiro dia de trabalho à caça de novos recursos para investimentos. Em sua primeira reunião de trabalho, na manhã de ontem, recebeu o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luiz Alberto Moreno. Eles negociaram uma linha de financiamento de US$ 300 milhões para a terceira fase do Programa Favela-Bairro, um dos marcos da gestão do ex-prefeito Cesar Maia(DEM). Paes disse que buscará outras linhas de financiamento no exterior e junto aos governos federal e estadual. Ele já conta com a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para projetos de saneamento básico, como a ampliação da estação de tratamento de esgoto de Vila Kenedy, na zona oeste do Rio. Moradores do bairro receberam a visita do prefeito, que gosta de acordar cedo, no início da manhã, antes das 8h. "Vamos buscar todas as fontes de financiamento possíveis", disse Paes. Em uma série de decretos publicados anteontem, ele suspendeu pagamentos, contingenciou investimentos e determinou a renegociação de contratos. "Se não fizermos esse ajuste agora, o futuro pode ser muito ruim", justificou. Paes não pedirá a revisão da dívida do município com a União, mas estuda formas de abater o montante. "Vamos tentar introduzir elementos novos, como créditos que a Prefeitura do Rio tenha a receber do governo federal." O deputado Jorge Bittar (PT), que se licenciou da Câmara para assumir a Secretaria Municipal de Habitação, informou que o novo governo espera recursos do governo federal para construir 100 mil moradias no Rio. Segundo Bittar, o Favela-Bairro 3 pode alcançar 30 comunidades, mas a idéia é aproximar o programa à lógica das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) já em curso em favelas do Rio, que contemplam também melhorias nas casas. A prefeitura só poderá contrair o financiamento do BID se o Senado aprovar em fevereiro a emenda de Bittar à Medida Provisória 445, aprovada na Câmara, que autoriza estados e municípios a ultrapassar seus limites de financiamento para dar continuidade a programas em andamento. O Rio já estourou seu limite de financiamento e não apresentou o projeto do Favela-Bairro 3 a tempo de se beneficiar da janela criada pelo governo federal até junho de 2007.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.