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Paes apoia Leite para 2022 e elogia Lula: ‘Não está com ódio, apesar de ter motivos’

Em entrevista ao Papo Com o Editor, do Broadcast Político, prefeito do Rio disse ainda que ‘está muito claro’ o conjunto de erros do governo federal na pandemia

Caio Sartori e Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2021 | 17h04

RIO e BRASÍLIA – O prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM), está convicto de que o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), é o melhor nome para concorrer à Presidência em 2022. “Tem experiência, capacidade, é da política. Não quero um CEO para o Brasil, quero alguém com capacidade política para liderar o País, a transformação”, disse em entrevista ao Papo Com o Editor, do Broadcast Político/Estadão. A tendência é que o prefeito migre para o PSD, apesar de ainda não ter confirmado oficialmente a informação. 

Apesar disso, o carioca elogia outros nomes de oposição ao presidente Jair Bolsonaro, inclusive o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com quem manteve relação próxima durante seus mandatos anteriores. Os dois chegaram a protagonizar um áudio vazado pela Lava Jato no qual demonstravam intimidade – foi nele que o prefeito chamou a cidade de Maricá, na região metropolitana do Rio, de “merda de lugar”. O PT compunha os governos anteriores de Paes e chegou a ter o vice-prefeito na segunda gestão, entre 2013 e 2016. 

“Acho que o presidente Lula é nome fortíssimo na disputa. Tive o prazer de governar com ele. Era um momento muito diferente, havia uma visão federativa do Brasil em que municípios e Estados tinham protagonismo na implantação de políticas públicas”, apontou. 

“Vejo com muita simpatia a candidatura dele. Não me parece um movimento simples um eventual apoio no primeiro turno à candidatura, mas goza com minha simpatia, é bom nome. Tem demonstrado maturidade na construção de consenso e que não está amargurado, com ódio, apesar de ter todos os motivos para isso.” 

Outro ponto abordado na entrevista foi a CPI da Covid, cujos trabalhos começaram nesta semana no Senado. Paes alega que “está muito claro” que houve equívocos do governo federal na condução da pandemia – o que justifica a tentativa de Bolsonaro de tentar frear a comissão ou de desviar o foco para Estados e municípios. Nos últimos quatro meses, diz Paes, o Rio não recebeu recursos federais para o combate ao coronavírus, o que só colocaria o ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) no foco de eventuais apurações. 

“Nenhum chefe de Executivo gosta de CPI, principalmente quando cometemos erros. Até entendi a posição do presidente Bolsonaro de não querer a CPI. Está muito claro que houve um conjunto de equívocos cometidos pelo governo federal. Deve gerar um nível de estresse no governo, e a estratégia política deles é diluir essa tensão. Não me parece que vai ser bem sucedida”, disse.

Para o prefeito do Rio, Bolsonaro deveria conduzir e liderar o Brasil politicamente, mas isso é algo que, “pela própria personalidade”, o presidente tem tido dificuldade de fazer.

No Rio, prefeito defende frente ampla

A citada dificuldade para um eventual apoio a Lula no primeiro turno não impacta a forma como Paes encara a eleição fluminense. Após seguidas crises políticas e econômicas, a situação do Estado tem motivado conversas entre o grupo do político do prefeito e do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com a esquerda. No âmbito local, o mandatário defende que haja uma aliança ampla – com direito a uma espécie de “palanque múltiplo” para os presidenciáveis cujos partidos estiverem abarcados pela frente. 

“Defendo que esse candidato tenha no palanque dele todos os candidatos a presidente dessa frente de reconstrução do Rio”, disse. A ideia de reconstrução, segundo ele, está calcada no fato de o Estado viver uma situação ainda pior que a do País. O “consenso mínimo” entre essas forças políticas que hoje conversam incluiria temas como a ética, a Segurança Pública e a retomada do protagonismo econômico do Rio. 

O nome que Paes coloca nas conversas é o do advogado Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), cujo futuro político será definido a partir dos movimentos do prefeito, seu amigo de longa data. O mandatário, contudo, também elogia o deputado Marcelo Freixo (PSOLRJ), hoje o nome de maior recall dentre os que participam das conversas. O parlamentar de esquerda tem se colocado aberto ao diálogo e à ampliação de composições, ao contrário do que defende a maioria de seu próprio partido. 

“O Felipe Santa Cruz é a pessoa que vou apoiar e colocar nessa frente ampla. Mas é óbvio que, se quero discutir uma frente ampla, não posso dizer que esse é meu nome e não aceito discutir”, observou. 

Na entrevista, ele também comentou sobre a situação do DEM, dividido desde a eleição para a presidência da Câmara, em fevereiro. Um dos maiores aliados de Paes na política, Maia rompeu com o presidente da sigla, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, após o partido abandonar o candidato Baleia Rossi (MDB-SP) na disputa. Para Paes, ainda seria possível buscar uma solução interna na legenda – mas, se não der, a decisão que Maia tomar terá seu endosso. O prefeito o chama até de “senhor estabilidade”.

“Não há a possibilidade do deputado Rodrigo Maia fazer qualquer movimento sem estar me liderando nesse processo; de tomar uma decisão que seja diferente da minha”, afirmou. “É ele quem vai falar nacionalmente em nome do prefeito do Rio de Janeiro.”

Pouco depois da entrevista, saiu a informação de que Paes migraria para o PSD, partido liderado pelo ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab. O carioca ainda não confirma a informação oficialmente, mas a tendência é que, caso saia mesmo do DEM, ele leve consigo outros nomes de seu grupo político.

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