Padre acusado de pedofilia é libertado

O padre Alfieri Eduardo Bompani, de 54 anos, preso no último dia 9, em Sorocaba, acusado de molestar sexualmente menores que eram assistidos em sua paróquia, já está em liberdade. O mandado de soltura foi assinado na tarde de ontem pelo juiz criminal Maurício Vallala, acatando pedido feito pelo advogado Abramo Rubens Cutter, defensor do religioso. Cutter alegou que todas as diligências referentes ao inquérito que apura as acusações contra o padre já foram realizadas, não se justificando que seja mantido na prisão. Além de ser réu primário, o padre tem residência fixa e alega inocência. Três promotores criminais deram pareceres favoráveis à libertação. Bompani deixou o Centro de Detenção Provisória (CDP) e foi para um retiro, onde deve permanecer até o fim do processo. Ele não reassumirá as funções de vigário na paróquia de Nossa Senhora de Fátima, que já tem outro padre. O acusado teria sido beneficiado por um furto ocorrido no último fim de semana na casa paroquial, quando teriam sido levados diários e fitas de vídeo que poderiam, eventualmente, comprometer o padre. Durante o período em que esteve preso, Bompani escreveu uma carta dirigida aos fiéis na qual se dizia inocente e à espera da justiça divina. No texto de três páginas, afirmava que estavam querendo "crucificá-lo" como fizeram com Jesus Cristo. O padre foi acusado de abuso sexual por um garoto de 17 anos. A denúncia foi confirmada por outros cinco meninos, com idade entre 9 e 16 anos, ouvidos pela polícia. Todos eles eram assistidos por um projeto de atendimento a crianças de rua e drogadas, mantido pelo padre. A polícia apreendeu fotos de garotos nus, uma fita de vídeo e um diário, no qual o padre relata com detalhes os casos de pedofilia. Bompani tivera a prisão temporária decretada pela Justiça. O advogado contestou o conteúdo do diário, alegando que o padre registrava apenas seus pensamentos.

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