Padilha vai dar expediente na USP

Desempregado desde o fim do 1.º turno da eleição para o governo paulista, o médico infectologista Alexandre Padilha está fora do governo federal pela primeira vez desde 2004, quando desembarcou em Brasília para assumir a secretaria de assuntos federativos da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência.

PEDRO VENCESLAU, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2015 | 02h05

Derrotado no 1.º turno em outubro, no pior desempenho de um petista em São Paulo desde 1994, ele deixou de receber salário do partido já em novembro. Durante o período da disputa, foi remunerado pela legenda com o mesmo vencimento de quando era ministro da Saúde: R$ 30,9 mil brutos.

A mesma política salarial foi aplicada pela legenda aos dois ex-ministros de Luiz Inácio Lula da Silva que vingaram em suas estreias nas urnas: Dilma Rousseff, escolhida presidente em 2010, e Fernando Haddad, eleito em São Paulo em 2012.

Fora da máquina, Padilha, que enfrentou no ano passado sua primeira eleição, vem retirando nacos de sua poupança para pagar as contas desde que Geraldo Alckmin (PSDB) foi reeleito com folga. Em breve, porém, ele começará a dar expediente na Universidade de São Paulo, onde coordenará um núcleo de formação, extensão e mestrado na área de saúde pública. Questionado sobre como conseguiu a vaga, ele esclarece: "Não pedi emprego para ninguém. Foram eles que me chamaram. Se tem uma coisa que não estou é pedindo emprego".

Filha. O foco de atenção do ex-ministro é a chegada de Melissa, que nascerá em março, em uma unidade do SUS da periferia. Apesar de ter sido "cotado" para ocupar vários cargos, entre eles a Secretaria de Saúde da capital, o ex-ministro não será integrado, pelo menos por enquanto, à máquina pública ou à engrenagem partidária. Sua situação é o retrato do difícil momento enfrentado pelo PT no maior colégio eleitoral do País. "Não foi por apreço pelo governo que Alckmin venceu. A vitória dele se deu pela onda antipetista."

Em seguida, Padilha faz uma autocrítica: "Eu e a torcida do Corinthians sabemos que o PT precisa fazer mudanças. O PT precisa ser humilde e voltar seu coração para a realidade da nova classe trabalhadora".

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