Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Padilha reconhece que governo Temer está preocupado com 'indecisos' na votação no impeachment 

Ministro da Casa Civil disse há muitas variáveis até o julgamento final e que a sociedade quer conclusão do processo 'o quanto antes'

Carla Araújo, Murilo Rodrigues Alves e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2016 | 13h55

BRASÍLIA - O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, reconheceu nesta quinta-feira, 2, que há no governo a preocupação com a necessidade de garantir os 54 votos necessários para a conclusão do afastamento da presidente Dilma Rousseff e que o governo em exercício tem conhecimento de algumas manifestações de senadores indecisos ou que poderiam votar contra o impeachment. Padilha destacou que, como ainda faltam 60 dias para a votação, serão ouvidas "muitas manifestações". 

Padilha disse que o governo está acompanhando as manifestações e que pela sua experiência de "décadas de convivência" no Congresso Nacional há "muitas variáveis" até a votação. "Quando se pensa em tempo numa votação deste porte, uma hora antes da votação é quase uma eternidade", afirmou.  "Vamos ouvir muitas manifestações ainda que em tese não estávamos esperando que acontecesse", completou. 

O ministro disse que a despeito de modificações de opinião que possam ter ocorrido "há um termo positivo" já que a Câmara e o Senado têm respeitado até agora a vontade da população brasileira. "O que a nação quer o Congresso acaba fazendo. Eu não tenho dúvida que não houve mudança na sociedade brasileira no que diz respeito a esse tópico", afirmou.

Padilha disse que para todas partes envolvidas há o interesse que o processo de impeachment seja resolvido o quanto antes. "Se consultássemos a cada cidadão, ele diria que quer, sim, definir logo [o processo] e que este período de transitoriedade [do governo Temer] acabe", afirmou. "Se formos perguntar ao governo afastado, por óbvio. Para nós, governo Temer, interessa, sim, que [o processo] seja [resolvido] o mais breve possível, obedecendo as regras fixadas pelo Supremo Tribunal Federal", ponderou.

 

Reforma. Questionado sobre uma eventual reforma ministerial caso o governo Temer seja efetivado após um eventual afastamento definitivo de Dilma, Padilha esclareceu que as declarações dadas por Temer na quarta, 1º, ao deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, (SD-SP) estavam dentro de um contexto.

"O que disse o presidente foi circunscrito a questão do Ministério do Desenvolvimento Agrário, ele disse que depois de passada a votação final do impeachment, confirmado o afastamento, pode rever e não significa dizer que vai", afirmou, destacando que essa possibilidade de revisão estaria limitada ao MDA. 

Afago à base. Assim como fez Temer mais cedo, Padilha disse que a base de sustentação do governo está correspondendo "plenamente" às expectativas dando celeridade aos projetos importantes. "Temos convicção que temos base política para fazer as mudanças que temos que fazer", afirmou. 

Presente na coletiva, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, também destacou o apoio do Congresso para a aprovação de matéria econômicas importantes. "Temos boas perspectivas para aprovação de novas medidas que serão enviadas ao Congresso", disse. 

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