Padilha nega recomendação de Lula a Paulo Octávio

Segundo Padilha, o presidente não vai emitir nenhuma opinião enquanto a Justiça não tomar a sua decisão

Leonencio Nossa e Wilson Tosta, Agência Estado

18 de fevereiro de 2010 | 19h33

O Palácio do Planalto negou no final da tarde desta quinta-feira, 18, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha recomendado ao governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio, a permanecer no cargo. "Ele (Lula) não fez nenhum pedido específico ao governador", disse o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que convocou entrevista no 4º Congresso Nacional do PT, do qual participava.

 

Segundo Padilha, no encontro entre os dois, Lula deixou claro que não emitiria nenhuma opinião sobre o caso, porque é assunto do Poder Judiciário. O presidente, ainda segundo a versão de Padilha, também informou ao governador que determinara ao ministro-chefe da Corregedoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, a extensão de auditorias para todos os recursos repassados pelo governo federal ao Distrito Federal.

 

"O presidente deixou muito claro que não vai emitir nenhuma opinião sobre o tema GDF enquanto a Justiça não tomar a sua decisão. Achamos que qualquer opinião não é correto (sic), porque esse tema cabe à Justiça decidir. E o governo federal estará preparado para aquilo que a Justiça determinar que o governo federal faça em relação ao GDF", declarou.

 

Ao ler uma carta de Paulo Octávio "agradecendo" o apoio pessoal dele e do governo, o presidente mandou distribuir nota informando que o encontro não significou apoio político e manterá uma postura "estritamente" institucional com o governador. Padilha afirmou ainda que a reunião de Lula com Paulo Octávio só foi realizada depois de consultar o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, o advogado-geral da União, Luiz Adams e com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, para que eles lhe repassassem um relato técnico no DF.

 

O ministro ressaltou que o governo ainda não cogitou quem seria o interventor: "Essa discussão não foi feita, nem sobre os impactos jurídicos ou de quem seria o escolhido. Nós achamos que nesse momento cabe aguardar a decisão da Justiça. Qualquer atitude nossa pode suscitar em algum tipo de interferência", declarou.

 

'Lula está se lixando para o Paulo Octávio'

 

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), perguntou aos jornalistas se eles já tinham visto o presidente apoiar quem ele não quisesse. Questionado se Lula não teria vindo nesta quinta-feira ao Congresso do PT por causa do governador em exercício, retrucou: "Lula está se lixando para o Paulo Octávio".

 

Com viagem marcada para o México, Haiti e Cuba na próxima semana, Lula decidiu se preparar para qualquer decisão que o STF venha a tomar no caso de Brasília. Ele se reuniu, ainda pela manhã, com os juristas mais próximos do governo - Sepúlveda Pertence, ex-ministro do STF, e Nelson Jobim, ministro da Defesa - para avaliar a linha sucessória no DF e uma possível intervenção. Os ministros da Justiça, Luiz Paulo Barreto, da Advocacia Geral da União, Luís Inácio Adams, e das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, também foram ouvidos por Lula. "O presidente estará pronto para tomar qualquer atitude cabível determinada pela Justiça", disse Padilha.

 

Atualizada às 22h20 para acréscimo de informações

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