Padilha minimiza desconforto no PMDB por frase de Lula

Presidente pediu que partido aliado apresentasse lista de candidatos a vice para escolha de Dilma

estadao.com.br,

14 de dezembro de 2009 | 13h53

A indicação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende influir no processo de escolha do candidato do PMDB à vice-presidência na chapa da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) parece não ter afetado a relação do partido com o governo na Câmara dos Deputados. Segundo o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o PMDB deveria lhe encaminhar uma lista tríplice de nomes para Dilma escolher o candidato não afetou o trabalho do partido para a aprovação de projetos de interesse do governo na Casa.

 

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De acordo com o ministro, o governo está confiante em que será possível votar ainda neste ano, no plenário da Câmara, o principal projeto do pré-sal - que estabelece o marco regulatório do setor.

 

A declaração de Lula causou reação enérgica do PMDB, que trabalha com a possibilidade de escolha do presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), para ser o vice de Dilma. "Os ânimos já estão se acalmando. A postura do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), reafirma isso", disse Padilha, referindo-se ao entendimento do governo de que o deputado estaria cumprindo o calendário de votações do pré-sal acertado com o Planalto. As votações deste ano no Congresso terminam na próxima quarta-feira, ou, no máximo, na quinta-feira.

 

Na última quinta-feira, 10, Lula afirmou que a escolha do vice tem de ser de Dilma, e não da legenda aliada. "Primeiro, eu defendo a ideia de que o vice seja dos partidos aliados. Segundo, o PMDB é o maior partido aliado da base do governo", disse. "O correto não é nem o PMDB impor um nome forte. O correto é o PMDB discutir dentro do partido e indicar três nomes para a ministra Dilma, para que ela possa escolher."

 

O PMDB reagiu no dia seguinte, dando o recado por meio do líder do partido na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). "O PT já definiu sua candidatura à presidência. Seus critérios e discussões internas merecem o respeito, a lealdade e a confiança do PMDB. Mas a recíproca tem, e terá, que ser absolutamente verdadeira. E o nosso Partido sequer admite pensar diferente. O 'correto' para o PMDB é o que o PMDB entender ser o correto", disse o deputado em nota divulgada na sexta-feira, 12.

 

Desconforto

 

"O maior desconforto do presidente Michel Temer não tinha a ver com declarações ou não (de Lula), mas com insinuações que estariam existindo sobre informações da Polícia Federal, que também já foram negadas pela Polícia Federal e pelo Ministério da Justiça", disse Padilha. Ele se referia à divulgação de trechos da Operação Castelo de Areia, da PF e da Procuradoria da República, segundo os quais o nome de Temer aparece no arquivo secreto da Construtora Camargo Corrêa como beneficiado com R$ 345 mil pela empresa.

 

A uma pergunta sobre possível frustração do governo com o fato de não terem sido concluídas as votações dos projetos do pré-sal, Padilha respondeu: "Eu digo que o presidente Temer cumpriu aquilo que acertou com o governo. Ele estabeleceu que os projetos passariam pelas comissões especiais até 10 de novembro, e aí, sim, começaríamos a votação dos projetos. Quem não cumpriu o compromisso foram setores da oposição, que fizeram, em três semanas, o processo de obstrução, só vencido na última semana."

 

Orçamento

 

O governo espera igualmente votar neste ano, segundo Padilha, o projeto do Orçamento Geral da União para 2010. O ministro observou que o projeto é de interesse não só do governo federal, mas também de governadores e prefeitos.

 

Ao responder a uma pergunta sobre um possível festival de barganhas entre parlamentares e governo nas votações desse período final do ano, Padilha declarou: "Eu não conheço esse festival. Nunca me foi apresentado. Temos uma execução orçamentária ao longo do ano, e é natural que se concentre uma parte dessa execução neste final de ano, mesmo porque tivemos um ano de profunda crise, e agora é o tempo normal de maturação dos projetos."

 

O governo, segundo Padilha, vai liberar até o final do ano um total de R$ 4 bilhões em emendas parlamentares individuais, processo que começou em outubro.

 

Com informações de Leonencio Nossa, da Agência Estado

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