Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Padilha: 'Mesmo que pensasse algo sobre Geddel, não poderia externar, é questão presidencial'

Ministro-chefe da Casa Civil afirmou que a denúncia envolvendo o ministro deve ser 'avaliada em seu devido momento e pelo presidente da República'

Igor Gadelha, Idiana Tomazelli e Andrei Neto, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2016 | 13h54

BRASÍLIA - O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, evitou comentar, nesta segunda-feira, 21, denúncia feita pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero contra o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima. Ao deixar o cargo na sexta-feira, 18, Calero acusou Geddel de pressioná-lo para que intercedesse junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) pela liberadação da construção de um edifício em Salvador (BA), no qual o ministro comprou um apartamento.

"Quem nomeia e demite ministro é o presidente da República. (...) Mesmo que pensasse algo não poderia externar", respondeu Padilha em entrevista após a 45ª reunião do Conselhão. "Repito: questão de ministro é do presidente da República. Fora isso, é achismo, e não sou chegado a achismo", afirmou.

O ministro da Casa Civil também evitou comentar se a denúncia contra Geddel afeta a confiança de investidores no Brasil. "Essa é uma questão que tem de ser avaliada em seu devido momento e pelo presidente da República", disse. Mais cedo, ao passar próximo da imprensa após a reunião do Conselhão, o presidente Michel Temer também evitou comentar o assunto.

O único integrante do governo federal a comentar o tema até o momento foi o secretário do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), Moreira Franco, um dos assessores mais próximos de Temer. Em Paris, onde participa do 4º Fórum Econômico França-Brasil,  informou que "o presidente está debruçado sobre a questão" e que será buscada uma solução "que sirva ao governo e ao País". O secretário disse que Temer "está muito preocupado" com as denúncias de corrupção e tráfico de influência feitas contra o articulador político de seu governo.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, na edição de sábado, 19, Calero disse que um dos principais motivos que o levou a pedir demissão do cargo foi pressão feita por Geddel para que o Iphan aprovasse o projeto imobiliário La Vue Ladeira. O empreendimento tem cerca de 100 metros de altura e está previsto para ser construído nos arredores de uma área tombada da capital baiana, base eleitoral do ministro da Secretaria de Governo. 

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