Padilha: Lula cobra rigor e agilidade nas investigações sobre tráfico de influência

'O governo é o maior interessado na completa apuração', afirmou o ministro

Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2010 | 14h20

BRASÍLIA - O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, informou nesta segunda-feira, 20, que, na reunião da coordenação política do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou do ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, "agilidade" e "rigor" nas investigações sobre tráfico de influência e corrupção na Casa Civil, na gestão da ministra Erenice Guerra, que deixou o cargo na semana passada após a divulgação do escândalo. "Venham de onde vieram as denúncias, seja da oposição ou mesmo de pessoas com antecedentes criminais, o governo é o maior interessado na completa apuração", afirmou o ministro. "O governo não vai descansar enquanto toda a verdade não vier à tona e os responsáveis não forem punidos", garantiu.

 

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A crise no governo, causada pelo escândalo da Casa Civil, tomou boa parte da reunião da coordenação política, pela manhã, no Palácio do Planalto. Antes da reunião, Lula teve uma conversa reservada com o ministro da Justiça, de quem teve um relato das providências da Pasta e do inquérito aberto pela Polícia Federal, assunto tratado pelo governo como segredo de Estado, para evitar respingos na candidatura presidencial da petista Dilma Rousseff, responsável pela nomeação de Erenice para o cargo. "Nesse governo não há denúncia que não seja apurada e quem errou será punido, seja ele quem for", disse Padilha.

 

As declarações foram dadas depois da solenidade em que o presidente assinou Medida Provisória de apoio aos esportes de alta performance, visando aos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Abordado pela imprensa, Lula não quis falar sobre o escândalo. Em discurso no evento, ele disse que tem feito reflexões sobre sua passagem pelo governo e concluiu que o Estado fez muito, mas precisa fazer ainda mais pelo País e pelos esportes. "Em 1º de janeiro, vou descer as escadas do Palácio (do Planalto) pensando não no que fizemos, mas no que deixamos de fazer", afirmou.

 

Lula considerou modesta a meta, anunciada pelo presidente do Comitê Olímpico, Carlos Nuzman, de o Brasil alcançar a 10ª colocação entre os países da elite esportiva, na Olimpíada de 2016, conquistando no mínimo 13 medalhas de ouro e batendo o próprio recorde. "Se a previsão é que o Brasil será a 5ª economia do mundo em 2016, por que não pensar em metas mais ambiciosas?", indagou.

 

Lembrando o êxito do Vôlei Brasileiro, com a profissionalização, Lula disse que, hoje, os brasileiros perderam a pecha de perdedores e até alimentam a presunção da invencibilidade e não aceitam derrotas. "Precisamos ser presunçosos mesmos e chegar a 2016 preparados para ganhar mais medalhas do que em qualquer outro tempo", afirmou.

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