Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Padilha entrega carta de demissão ao governo

Carta de demissão do ministro da Aviação Civil foi entregue às 16h06 ao ministro Jaques Wagner; segundo o peemedebista, razões pessoais, partidárias e funcionais justificaram decisão

Carla Araújo, Ricardo Brito e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2015 | 17h17

Atualizada às 18h21

BRASÍLIA - O peemedebista Eliseu Padilha entregou na tarde desta segunda-feira, 7, ao governo sua carta de demissão. O documento foi protocolado às 16h06 na Casa Civil e recebido pelo ministro Jaques Wagner. Após receber a carta, Wagner seguiu para reunião com a presidente Dilma Rousseff, onde a informou da decisão.

A reunião da presidente que acontece no Palácio do Planalto, entretanto, faz parte do grupo interministerial que cuida do programa de combate ao zika vírus e seria preparatória para o encontro de governadores amanhã em Brasília.

Razões. Padilha afirmou ter razões pessoais, partidárias e funcionais para justificar sua saída do governo de Dilma. Em entrevista coletiva na sede da Presidência do PMDB, no Congresso, ele disse ter entregado a carta de demissão na terça-feira, 1º de dezembro, um dia antes de o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ter admitido a abertura de um processo de impeachment contra Dilma.

Padilha relatou a conversa que teve nesta segunda-feira na qual pediu a Dilma e ao ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, para ser exonerado do cargo. Ele disse ser um quadro do PMDB, indicação pessoal do vice-presidente e presidente do PMDB, Michel Temer. Segundo ele, Temer queria alguém no partido para conversar com os diretórios regionais, uma vez que a legenda tem "projeto" para as eleições municipais de 2016 e gerais de 2018.

Na questão pessoal, o ex-ministro disse que gostaria de retomar sua atividade particular, por ser advogado e empresário. Padilha destacou ainda que, em relação às dificuldades funcionais, não ter conseguido cumprir as tarefas que lhe impôs como ministro. Segundo ele, a "realidade orçamentária" não permitiu o uso de recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), que tem sido contingenciado para ajudar o governo a cumprir a meta fiscal.

"Assumi compromissos que, por força das circunstância, não foram cumpridas", admitiu. Ele disse que estava difícil para continuar a dar explicações, como no caso do plano de construção de aeroportos regionais, medida que ainda não saiu do papel. "Se há um culpado por isso fui eu que me empolguei", completou.

O ex-ministro disse que o episódio envolvendo a retirada pelo governo da indicação do economista Juliano Alcântara Noman - atual secretário de Navegação Aéreo Civil da SAC e que já foi o número dois de Padilha - para ocupar a diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também o fez decidir pela saída do governo, mas que esse não foi o único motivo. "Não foi esse episódio da Anac isoladamente", disse. 

A saída de Padilha, que é considerado um dos nomes mais próximos ao vice-presidente Michel Temer, entretanto, tem sido interpretada no Planalto como um sinal de enfraquecimento na aliança PT/PMDB. Além disso, reforça a tese de que Temer estaria se distanciando da presidente. Assim que foi acatado o pedido de abertura do processo de impeachment, na última quarta-feira, a presidente teve apenas um rápido encontro com o vice. Auxiliares da presidente dizem reservadamente que a postura de Temer passa a imagem de que ele está conspirando para chegar ao poder.

Mais cedo, Dilma tentou minimizar o distanciamento entre ela e Temer. A presidente disse que sempre confiou no peemedebista e que ainda não havia sido  informada sobre o pedido de demissão de Padilha.  

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