ANDRE DUSEK/ESTADAO
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Padilha diz que 'óbvio' que é possível que Janot apresente nova denúncia contra Temer

Ministro disse que ação 'naturalmente' deve ser fundamentada; Temer deve embarcar na terça-feira, 29, para a China e retornar só em 6 de setembro

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2017 | 14h23

BRASÍLIA - O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse nesta segunda-feira, 28, que "por óbvio, é possível" que o procurador geral da República, Rodrigo Janot, apresente a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, antes de transmitir o cargo para Raquel Dodge. Seu mandato termina em 17 de setembro.

"O Ministério Público tem uma missão a cumprir e o que se espera é que ele cumpra bem a sua missão nos estritos limites da lei", declarou Padilha. "As possibilidades serão as maiores do mundo em todos os aspectos, a nossa possibilidade de aprovação das nossas regras, também a possibilidade de surgir uma nova denúncia é possível, por óbvio que é possível", afirmou Padilha, acrescentando que a ação, "naturalmente", "tem que ser fundamentada".

Diante da insistência da imprensa sobre a preocupação com a apresentação da nova denúncia, durante o período em que estiver viajando para a China, o ministro desconversou e foi evasivo, limitando-se a lembrar que "o presidente estará viajando para a China". A previsão é de que Temer embarque nesta terça-feira para participar da reunião dos BRICs e só retorne ao Brasil, na semana que vem, no dia 6 de setembro.

A denúncia foi baseada na conversa gravada por Joesley Batista, da JBS, que teria tentado comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e de Lúcio Funaro, que era o operador do PMDB da Câmara na Petrobras e na Caixa Econômica Federal. Como agora, Funaro assinou delação premiada, o assunto está sendo tratado com preocupação no governo, apesar de o presidente Temer dizer que não conhece Funaro e insistir que Janot está perseguindo-o.

Rodrigo Janot tem sinalizado que poderá apresentar sua segunda denúncia durante o período em que Temer estiver fora do País. A primeira denúncia foi por apresentada ao Supremo Tribunal Federal, no final de junho, por corrupção passiva, com base na delação do Grupo J&F. Em seguida, a acusação foi remetida à Câmara, pelo relator da Lava Jato no Supremo, ministro Edson Fachin, precisa autorizar o prosseguimento da denúncia. No dia 2 de agosto, o plenário da Câmara rejeitou a denúncia.

A expectativa é de que Janot apresente nova denúncia, desta vez com base na delação de Funaro, desta vez juntando os crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa.

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