RENATO S. CERQUEIRA|FUTURA PRESS
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Padilha diz que não há 'absolutamente nenhum temor' do governo em relação à Lava Jato

Ministro da Casa Civil também reforçou mensagem de que Temer nega encontro com ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que o citou em delação premiada

Ana Fernandes e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2016 | 17h15

 O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou nesta quinta-feira, 16, que não há preocupações no governo sobre os efeitos que possa ter a Operação Lava Jato. Ele também reforçou a mensagem de que o presidente em exercício Michel Temer nega o encontro com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que o citou em delação premiada.

"Não há absolutamente nenhum temor em relação à Lava Jato. A citação a Temer é absolutamente gratuita, não teve conversa do presidente Michel Temer sobre recursos para campanha. Com relação ao presidente, é zero a possibilidade de envolvimento dele com Sérgio Machado."

Temer foi citado na delação de Machado, divulgada nesta quarta-feira, 14. Na delação, Machado diz que Temer cobrou R$ 1,5 milhão em 2012 para a campanha do então peemedebista Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo. A doação foi lícita da Queiroz Galvão, mas segundo Machado, teria sido alvo de troca de favores com a empreiteira.

Padilha, após participar de evento com empresários em São Paulo, defendeu, em entrevista coletiva, que em 2012 havia somente distinção do que era doação legítima e caixa 2. Segundo o ministro, a maioria da classe política não sabia da doação oficial de empresas para campanhas em troca de benefícios. Para defender seu ponto, Padilha chegou a citar a deputada federal Jandira Feghali (PC do B-RJ), que aparece também na delação de Machado.

"Pega só o caso da Jandira, conheço a Jandira há muitos anos. Tenho certeza que Jandira Feghali não foi pedir para Sérgio Machado recursos ilícitos, certeza absoluta. Se esse raciocínio vale para Jandira, no meu juízo, vale para todos, porque o Sérgio disse que ele partiu do pressuposto que as pessoas sabiam que o recurso seria ilícito. Ora, em 2012, a discussão que havia era doação oficial ou caixa 2, não era o que tem hoje, de propina ou doação oficial legítima", afirmou o ministro, ao argumentar que esse pressuposto do ex-presidente da Transpetro na delação é "um juízo de subjetividade absoluta".

Lava Jato. Padilha reiterou o apoio do governo interino à Lava Jato e justificou sua fala na palestra a empresários, pouco antes, de que as investigações precisariam "caminhar para uma definição final". Segundo o ministro, sua fala foi no sentido de que é importante para o País se definir, assim que possível, quem são os culpados no esquema de corrupção instalado na Petrobrás.

"Tenho certeza que os principais agentes da Lava Jato terão a sensibilidade para saber quando eles deverão aprofundar ao extremo e também eles caminharem rumo a uma definição final. Isso tem que ser sinalizado porque nós vimos na Itália (com a operação Mãos Limpas), onde não houve essa sinalização e acabaram, depois do grande benefício, tiveram efeitos deletérios que nós não podemos correr o risco aqui", disse Padilha aos empresários.

A declaração de Padilha vem pouco depois de o presaidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acusar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de cometer excessos nos seus pedidos de prisão na Lava Jato - Renan, Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-presidente José Sarney, além do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foram alvos de pedido de prisão por Janot.

Renan também tem declarado que pode aceitar um pedido de impedimento contra o procurador-geral. Padilha não comentou a iniciativa de Renan contra Janot.

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