Renato Cerqueira|Futura Press
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Padilha diz que agentes da Lava Jato devem 'sinalizar' desfecho da Operação

Ministro da Casa Civil exaltou operação, mas expôs necessidade de uma resolução; para Padilha, citação ao nome de Temer trata de encontro que não existiu

Ana Fernandes e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2016 | 15h19

SÃO PAULO - Um dia após a divulgação de que o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, envolveu o presidente em exercício Michel Temer em sua delação na Lava Jato, o ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, cobrou nesta quinta-feira, 16, durante um almoço com empresários em São Paulo,  que os agentes envolvidos na investigação devem "sinalizar o momento"  de ela caminhar para uma definição final.

"Os principais agentes da Lava Jato terão a sensibilidade para saber o momento de aprofundar ao extremo e caminhar para a definição final. Isso tem que ser sinalizado. Na Itália não houve essa sinalização e acabaram tendo efeito deletério. Não podemos correr esse risco aqui."

O presidente interino foi acusado por Machado de ter negociado propina de R$ 1,5 milhão para a campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo pelo PMDB em 2012. No encontro desta quinta-feira, 16, Padilha defendeu Temer e afirmou que a citação ao nome dele trata de um encontro que não existiu. "A citação teria que ter vindo com uma prova mínima que tal encontro existiu", afirmou o ministro.

Para respaldar sua tese, Padilha citou o caso da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), aliada de Dilma Rousseff, que também aparece na lista de Machado. "Conheço a Jandira há muitos anos. Tenho certeza que ela não foi pedir recursos ilícitos ao Sérgio Machado. Se esse raciocínio vale para ela, vale para todos".

O almoço foi organizado pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), entidade criada pelo empresário João Doria, candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo.

Impeachment. O ministro da Casa Civil afirmou também que, se a votação do julgamento do impeachment fosse hoje, haveria ao menos 58 votos pelo afastamento definitivo de Dilma Rousseff, quatro a mais que o necessário para consolidar a decisão. "Se os senadores tivessem que votar hoje o impeachment, teríamos entre 58 e 61 votos, nenhum menos que 58. As razões, obviamente, não vou aqui revelar, nem nome nenhum, mas temos controle diário de várias fontes nossas lá dentro do Senado", disse o braço-direito de Temer a jornalistas, após participar de evento em São Paulo. Conhecido por suas planilhas e por sua habilidade na articulação política, Padilha lembrou que previu 368 votos pela abertura do processo de impeachment na Câmara e foram 367.

No Senado, na decisão que afastou Dilma em 12 de maio, Padilha disse que seu grupo de trabalho previu 55 votos favoráveis à abertura do processo e foram de fato 55 votos. Padilha comentou brevemente a fala do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de que não achava conveniente haver votação de medidas do ajuste fiscal, como da PEC que estabelece um teto para os gastos públicos, antes do julgamento definitivo do impeachment de Dilma. 

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