Padilha: demissão de Erenice não encerra investigações

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou hoje que a saída de Erenice Guerra da chefia da Casa Civil não encerra as investigações sobre as denúncias de tráfico de influência que a envolvem. Ele lembrou que as apurações foram iniciadas na terça feira, com a Polícia Federal (PF) e a Controladoria Geral da União (CGU), por iniciativa do próprio governo, e destacou a participação da Comissão de Ética Pública nas investigações, a pedido da própria ex-ministra.

WILSON TOSTA, ENVIADO ESPECIAL, Agência Estado

17 de setembro de 2010 | 20h31

"O fato de a ministra ter saído do governo, ter pedido ao presidente para sair para se defender, não vai fazer com que o governo interrompa o processo de apuração", afirmou Padilha, destacando que o governo não vai impedir nenhum procedimento da PF. "O governo apura até o fim. Doa a quem doer, seja quem for." Segundo ele, foi solicitado que a CGU investigue todos os procedimentos com relação a contratos licitatórios denunciados.

Depois de participar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ato no campus da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Padilha afirmou que o governo estava sabendo "agora" dos supostos e-mails nos quais o consultor Rubnei Quícoli teria advertido para a suposta tentativa de extorsão que estaria sofrendo.

"A Polícia Federal vai fazer toda a apuração. Se existiu este e-mail, quem recebeu o e-mail, quais foram as pessoas informadas disso naquele momento, as pessoas informadas que não tomaram procedimentos (sic) têm de ser punidas", declarou. "Ver inclusive quais são os interesses das pessoas que denunciaram, se têm provas a ser apresentadas."

Padilha também demonstrou desconfiança em relação a Quícoli. "Porque por um lado ver alguém que faz uma denúncia, alguém que tem inclusive uma ficha bastante questionável em relação a antecedentes", afirmou, lembrando o fato de consultor já ter passado dez meses na prisão por condenação criminal. Ele também criticou a oposição por usar o escândalo na campanha eleitoral.

"Acho que a oposição está sem discurso para o País. Vem desde o começo tentando fazer ataques à Dilma (Rousseff, candidata do PT à Presidência), fazer ataques ao presidente Lula. E está claro que essa tática não vai ter sucesso. O Brasil quer saber quem está preparado para dar continuidade ao governo do presidente Lula", disse.

Lula

Depois de visitar as novas instalações do Instituto de Ciências Exatas da UFJF - que funcionava desde janeiro - Lula, em discurso na Praça Cívica da universidade, não fez nenhuma menção aos escândalos. Veladamente, sem nominá-lo, criticou o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, que o antecedeu.

Ele comparou a capitalização da Petrobras com as privatizações ocorridas na gestão FHC. "Diferentemente dos que batiam uma plaquinha para vender estatais, vamos capitalizar a nossa Petrobras", disse o presidente, exaltando o que chamou de "a maior capitalização da história da humanidade".

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