Padilha assume ministério como 'unanimidade' entre prefeitos

Para o presidente da Frente de Prefeitos, novo ministro garante boa relação entre municípios e União

Fernando Martines, do estadao.com.br,

28 de setembro de 2009 | 20h01

O subsecretário de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, assumiu nesta segunda-feira, 28, o cargo de ministro da pasta, em substituição a José Múcio, com o aval de "liderança mais respeitada pelos prefeitos" do Brasil. Quem lhe conferiu o posto foi João Coser (PT), prefeito de Vitória (ES) e presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), em entrevista ao estadao.com.br.

 

Para justificar sua afirmação, Coser, que esteve em Brasília para a posse de Padilha, ressalta o fato de que o novo ministro, à frente dos Assuntos Federativos, realizou um ótimo trabalho de trânsito entre União e Municípios. "O trabalho dele (Padilha) com o ministro Múcio mudou completamente a relação entre os governos municipais e o federal. Antes não tínhamos nenhuma porta aberta na União, agora somos parceiros. Não há precedentes de uma relação tão boa entre ambas as partes, é um fato inédito", disse.

 

Apesar do momento único apontado por Coser, Padilha assume a pasta em um momento delicado. Muitos municípios brasileiros, que dependem quase que exclusivamente de repasses federais, foram afetados fortemente pela crise econômica, já que a arrecadação tributária diminuiu no País. Três prefeituras de Alagoas já fecharam suas portas não tendo como pagar as contas e uma Medida Provisória - a de número 462 -, aprovada no Congresso, determinou que a União repasse R$ 1 bilhão para socorrer municípios brasileiros.

 

O presidente da Frente Nacional dos Prefeitos aprovou a atuação de deputados e senadores para auxiliar os municípios. "A MP 462 ajudou muito, serviu para não nos deixar completamente perdidos", disse Coser. Ele lembrou, no entanto, que o bilhão liberado não será suficiente para todos os municípios: "O Legislativo tem que pensar um pouco mais antes de aprovar leis que aumentem os custos das prefeituras, como o aumento do número de vereadores e a ampliação de programas sociais em nível municipal".

 

Mesmo com os contratempos que Padilha terá de enfrentar na mediação das relações entre o governo federal e as prefeituras, o entusiasmo com ele é evidente. "A posse dele foi concorridíssima, lotada, todo mundo queria estar presente", disse Coser. Ele completa citando o que classificou ser um sentimento comum no Partido dos Trabalhadores. "O Lula disse para Padilha: 'Você tem tudo para se tornar uma revelação política'. Mas para nós ele já é!".

 

Eleições

 

A Frente Nacional de Prefeitos, sendo composta por membros de diversos partidos, tanto de oposição como governo, não tem uma posição única perante as eleições para a Presidência, no ano que vem. Se a escolha do candidato para suceder Lula pode gerar discórdia, o medo de que as políticas sociais implantadas ou ampliadas no mandato petista sejam extintas com a entrada de um novo governo é consenso entre os prefeitos.

 

João Coser garante que este receio é compartilhado por muitos prefeitos. "Tem sim uma preocupação neste sentido, seria desalentador que acabassem com programas sociais". Mas por outro lado, lembra que não será fácil fazer isso. "Será muito difícil jogar por terra estas coisas".

 

João Coser classifica ainda como "preponderante" o papel dos prefeitos na eleição do ano que vem. "Junto com os vereadores, serão os únicos políticos com cargos eletivos que poderão participar do debate eleitoral sem estar participando efetivamente do pleito. São muito importantes para as mobilizações, ainda mais por terem acabado de sair de uma eleição onde conseguiram a maior parte do apoio popular", ponderou o presidente da FNP.

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