Pacto do PT com PMDB no Estado foca 2014

Conselho político criado por petistas em SP vai asfixiar candidaturas em nome da aliança

Malu Delgado e Julia Duailibi,

21 de maio de 2011 | 17h00

Dirigentes do PT estão convencidos de que é necessário atrelar o PMDB ao projeto de 2014 - seja com a tentativa de reeleição de Dilma Rousseff ou com o lançamento de outra candidatura - e, para isso, já articulam estratégias para expandir a aliança com o partido no Estado de São Paulo em 2012. Ao contrário de estratégias eleitorais anteriores, em que aliados históricos, como o PC do B e PSB, eram o ponto de partida de alianças, a ordem agora é dar prioridade ao PMDB e, em seguida, ao PR.

 

 

Inicialmente batizado de "estado-maior" do PT, o conselho político do partido criado para organizar a eleição municipal de 2012 em São Paulo está decidido a usar a mão de ferro para fazer valer a aliança com o PMDB nas principais cidades do Estado. Isso implica asfixiar algumas candidaturas do PT em prol do fortalecimento da aliança com os peemedebistas em São Paulo.

 

 

A exceção seria a capital, onde os dois partidos já trabalham com a perspectiva de candidatura própria e aliança num eventual segundo turno.

 

 

O objetivo é que as tratativas sobre as eleições municipais em São Paulo sejam comandadas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo vice-presidente da República, Michel Temer, peemedebista que assumiu o controle político da sigla no Estado com a morte do ex-governador Orestes Quércia.

 

 

A ideia é que as decisões tomadas pelo "estado-maior" petista, seleto grupo composto pelas principais lideranças do partido no Estado, prefeitos e os líderes no Congresso - isso sem falar, obviamente, no ex-presidente Lula - se sobreponham às deliberações do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE).

 

 

Ainda que esteja disposta a ceder ao PMDB em várias grandes cidades do Estado, a direção do PT fará uma exigência: o apoio dos peemedebistas a candidaturas petistas nas 64 cidades que o partido já governa. Em cidades como Sorocaba e Campinas, por exemplo, o PT acredita que o PMDB poderá dar as cartas da disputa e definir o candidato.

 

 

A largada das articulações do PT foi dada há cerca de um mês, em um jantar na casa do prefeito de Osasco, Emídio de Souza. Na ocasião, o partido começou a formular as linhas gerais da atuação eleitoral em São Paulo. No próximo dia 6, o partido fará a segunda reunião.

 

 

Um dos objetivos do conselho petista é organizar o PT em todo o Estado de São Paulo. No mapa desenhado, só falta estruturar o partido em 25 dos 645 municípios paulistas. O passo seguinte será mapear todas as cidades onde o PMDB teria candidatos mais fortes que o PT e trabalhar pela aliança.

 

 

Na maior cidade do País, o PT não abrirá mão da candidatura, mesmo com o PMDB ameaçando lançar o deputado Gabriel Chalita. Na avaliação dos petistas, Chalita deve atrair eleitores do PSDB, não do PT.

 

 

Lula está decidido que para derrotar o PSDB em São Paulo é necessário vencer na capital em 2012. Insiste, ainda, na candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, ainda que ele não tenha boa interlocução com os próprios petistas e seja criticado internamente pela falta de traquejo político. Para Lula, Haddad é palatável para a classe média paulistana, além de ser uma novidade numa eleição que pode ser marcada por personagens já desgastados perante o eleitor.

 

 

O nome do ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) é o que conta com o apoio mais expressivo do PT paulista. O petista, no entanto, teria o ônus de largar o ministério para entrar numa disputa incerta. Ele disse a Dilma que não pretende deixar o governo. Já a senadora Marta Suplicy não conta com o apoio de boa parte da cúpula.

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