Pacote que sobe imposto testa base de Yeda no RS

A governadora eleita do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), provocou a primeira grande polêmica de sua gestão ainda antes de tomar posse. Um pacote econômico que aumenta impostos e congela salários por dois anos dividiu sua base de apoio. Parte dela passou a combater o projeto ao lado de tradicionais adversários, como o PT, o PCdoB e centrais sindicais. A outra parte, que ficou ao lado de Yeda, prefere justificar as medidas como dolorosas, mas necessárias para zerar o déficit fiscal de R$ 2,2 bilhões previsto para 2007, informou o Estado.A debandada de aliados começou pelos deputados estaduais Marquinhos Lang (PFL) e Berfran Rosado (PPS), que desistiram de ocupar as secretarias da Justiça e Inclusão Social e do Planejamento e Gestão. O PFL, do vice-governador Paulo Afonso Feijó, também decidiu combater o pacote, orientando seus dois deputados a votarem pela rejeição. O pacote eleva de 25% para 28% as alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de armas, munições, cigarros, perfumes e brinquedos e de 18% para 21% no caso de refrigerantes. Também prorroga as alíquotas de 29% para telefonia e energia elétrica e de 28% para gasolina e álcool, que foram aumentadas em 2004 e voltariam para o patamar de 25% em janeiro. Yeda passou a campanha criticando Rigotto por não atacar o déficit fiscal. Ela prometeu que faria isso sem aumentar impostos. Graças ao compromisso, recebeu apoio explícito de empresários no segundo turno, quando enfrentou Olívio Dutra (PT). Ao justificar o pacote, Yeda alegou que deixou claro, na campanha, que faria o que fosse preciso para enfrentar a crise estrutural do Estado. Também argumentou que a realidade encontrada na transição foi pior do que a esperada. O déficit, que havia sido estimado em R$ 1,4 bilhão, supera R$ 2,2 bilhões. "Diante desse fato novo, assumo o pedido de manutenção das alíquotas", afirmou, ao apresentar o pacote, na terça-feira. Como ainda não assumiu o cargo, Yeda pediu que Rigotto enviasse o pacote à Assembléia. A alteração das alíquotas será votada nesta sexta-feira. Os deputados passaram a quinta-feira sob pressão. Empresários, sindicalistas e funcionários públicos pediram a rejeição.A governadora eleita conta com o apoio dos seis deputados do PTB e partes do PMDB, PDT e PP. O próprio PSDB, que tem três deputados, não garante unanimidade. O líder da bancada, Ruy Pauletti, promete votar contra. É impossível prever o resultado.

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