Daniela Ortiz/ACSP
Daniela Ortiz/ACSP

Pacheco: ‘Negacionismo passou a ser brincadeira de mau gosto, macabra e medieval’

Presidente do Senado diz que País precisa de ‘união’ diante do avanço da pandemia da covid-19, mas evita criticar o presidente Jair Bolsonaro

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

22 de março de 2021 | 18h47

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou na manhã desta segunda-feira, 22, em São Paulo, que “o negacionismo passou a ser uma brincadeira de mau gosto, macabra e medieval”, e que diante da pandemia do coronavírus “não será uma minoria desordeira e negacionista que fará pautar o povo brasileiro e o Brasil nesse momento que nós precisamos de união”.

Pacheco evitou fazer críticas diretas ao presidente Jair Bolsonaro – de quem recebeu apoio para se eleger presidente do Senado – ou a seus apoiadores e não fez relação direta entre esses grupos e os “negacionistas”. Para o presidente do Senado, há dois caminhos a seguir na pandemia.“Há dois caminhos que podemos seguir na pandemia. É o caminho da união nacional e o caminho do caos nacional. Cabe a nós, responsavelmente, com amor ao Brasil, escolhermos o melhor caminho.”

As declarações foram feitas durante a posse da nova diretoria da Associação Comercial de São Paulo, ao lado do presidente do PSD, ex-ministro Gilberto Kassab. Pacheco defendeu um grande pacto envolvendo o Congresso, o Supremo Tribunal Federal (STF), a Presidência da República, governadores e prefeitos para combater a pandemia.

“Gostaria, em nome desse momento em que vivemos no Brasil, invocar o aspecto humano, a solidariedade, a compaixão, a empatia e é por isso que proponho um grande pacto nacional do presidente da República, Jair Bolsonaro, do presidente da Câmara, Arthur Lira, do Senado Federal, do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, do doutor Augusto Aras, procurador-geral da República, dos governadores de Estado, dos prefeitos municipais”, disse.

“Que possamos sentar à mesa e entender que a situação é gravíssima e que precisamos encontrar os pontos de convergência. As divergências sempre existirão, mas que sejam dirimidas da melhor forma possível dentro do que a Constituição determina. Cada qual tem o seu ponto de vista, mas não façamos prevalecer o ponto de vista individual sobre o senso comum de urgência e de necessidade de solução destes problemas nacionais que atingem severamente a vida de brasileiros e a economia”, disse o senador.

A palestra do senador teve ainda defesas de medidas econômicas de médio e longo prazo para o enfrentamento das consequências da pandemia, citando a criação, no País, de um programa de renda mínima. “Um programa de renda mínima, de renda cidadão, tem todo o apoio, e vejo esse ambiente no Senado, para que seja instituído no Brasil, e que mescle o valor da assistência com o valor também do estímulo ao trabalho, porque não há programa social melhor no mundo do que a geração de trabalho e emprego para as pessoas”, disse.

Pacheco disse ainda cobrar do Ministério da Economia ações de socorro, em especial para pequenas e médias empresas, durante o período de crise.

CPI pode atrapalhar enfrentamento da pandemia

Pressionado para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito e investigar a conduta do governo federal na crise de covid-19, Pacheco afirmou nesta segunda-feira, 22, que a CPI pode atrapalhar o enfrentamento da pandemia.

A declaração, feita durante entrevista à rádio JovemPan, indica um alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro e é a declaração mais objetiva de Pacheco contra a CPI até o momento. Para oferecer uma resposta à pressão, diante do avanço da doença no País, o presidente do Senado articula uma reunião entre Bolsonaro e outras autoridades públicas para a próxima quarta-feira, 24.

“Eu considero que a Comissão Parlamentar de Inquérito é algo que pode atrapalhar esse momento da busca de soluções do enfrentamento da pandemia. Mas não será isso a principal motivação que fará ler ou não o requerimento da CPI”, afirmou Pacheco.

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