Marcelo Camargo|Agência Brasil
Marcelo Camargo|Agência Brasil

Pacheco admite que análise da denúncia na CCJ pode superar o prazo

CCJ teria cinco sessões, contando a partir da apresentação da defesa de Temer, para concluir parecer, mas presidente da comissão indicou que se relator pedir mais tempo, permitirá

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2017 | 13h51

BRASÍLIA - O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), disse nesta quarta-feira, 5,  que a tramitação da denúncia contra o presidente Michel Temer pode extrapolar o prazo regimental de cinco sessões plenárias se for necessário, dependendo da dinâmica do debate. A sinalização contraria a pressa dos governistas para liquidar o tema antes do recesso parlamentar. O peemedebista marcou para segunda-feira, 10, às 14h30, a leitura do parecer do relator Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), mas também reconheceu que poderá haver adiamento da apresentação.

Pacheco reuniu nesta manhã coordenadores de bancadas e fecharam alguns procedimentos sobre as sessões de análise da denúncia. "Se este procedimento redundar no encerramento disso na quinta-feira, que seja. Senão, vamos avançar a semana seguinte até que possa ser garantido este rito transparente, este rito democrático na CCJ", declarou. "Vamos evitar, para cumprir o regimento no tocante ao prazo de cinco sessões, mas se for preciso alongar por mais uma, duas sessões, assim faremos para garantir a lisura do procedimento na CCJ", completou.

Apresentada a defesa de Temer hoje, inicia-se a contagem do prazo das cinco sessões plenárias de tramitação na CCJ. Se Zveiter pedir mais prazo para concluir o relatório, Pacheco avisou que concederá o pedido.

Pelo acordo, cada membro titular e suplente poderá falar por até 15 minutos na sessão de debates. Ficou acertado que 20 não-membros à favor da denúncia e 20 não-membros contra o pedido da PGR poderão falar por até 10 minutos, por ordem de inscrição. Assim, a fase somaria quase 40 horas de discussão em plenário. Houve acordo para que não seja apresentado requerimento de encerramento de discussão nesta fase. Segundo Pacheco, ao abrir espaço ampliado de debate, todos terão oportunidade de falar na CCJ.

A oposição já está contando com a possibilidade de não votar o parecer na CCJ na próxima semana, o que contraria a orientação do governo, que quer votação célere. "Conseguimos estender o debate sem o afogadilho de votar a matéria na semana que vem no plenário. O debate na CCJ estará garantido para que a sociedade possa acompanhar aqui o parecer que o plenário decidirá provavelmente na segunda quinzena de julho", disse Júlio Delgado (PSB-MG).

Na reunião de hoje não houve acordo para que a comissão convide o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mas segundo fontes Pacheco se mostrou sensível ao pedido da oposição. O peemedebista vinha resistindo à possibilidade de trazer Janot na comissão, mas anunciou que tomará uma decisão entre hoje e amanhã.

A defesa de Temer poderá se manifestar depois do voto do relator, pelo mesmo tempo que Zveiter falar. A expectativa é que haja pedido de vista, o que permitiria o início dos debates na quarta-feira, 12. No mesmo dia, haverá sessão extraordinária da CCJ de manhã para retomar a discussão da PEC das Eleições Diretas em caso de vacância da presidência da República.

Superada a fase dos debates, relator e defesa poderão se manifestar mais uma vez. A votação será nominal no painel eletrônico. 

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