PABLO ORTELLADO

FILÓSOFO E PROFESSOR DA USP

O Estado de S. Paulo

13 Abril 2015 | 22h47

 Vejo uma dinâmica típica de mobilização de rua. É muito difícil manter uma mobilização ascendente sem fatos políticos relevantes, e nisso não importa se estão à direita ou à esquerda do espectro político: todos sofrem das mesmas contingências.

Cem mil pessoas na Avenida Paulista não é pouca coisa, é muitíssimo significativo. As manifestações só estão decrescendo por dificuldades de mobilização, porque as pesquisas mostram que a pauta encontra ressonância mais ampla. Em São Paulo é muito centrado na classe média, mas a insatisfação que se expressa está disseminada por toda a sociedade.

As outras classes só não estão nas ruas porque a mobilização entre elas é um fenômeno muito difícil num país com as desigualdades sociais do Brasil. O uso do WhatsApp é uma barreira tecnológica, porque dessa forma é difícil sair de seu meio social. As classes mais baixas ainda não estão nas ruas e essa deve ser a principal preocupação do governo. O que falta é existir um grupo convocante com legitimidade.

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