Pablo Ortellado

Filósofo e professor da USP

O Estado de S. Paulo

17 de março de 2015 | 00h19

As manifestações de domingo têm um impacto político enorme. Tiveram a mesma grandeza dos protestos de junho de 2013, se não maior. O fato de estarem circunscritas a uma classe social ajuda a explicar o fenômeno, mas ele não deve ser deslegitimado por conta disso. Qualquer manifestação que reúna dezenas de milhares de pessoas causa desgaste no governo, perda de popularidade e de legitimidade. E não há indicativo de que isso vai desaparecer. Se olharmos historicamente, é a primeira vez que a direita tem expressão de rua relevante desde a democratização. Os grupos que estão convocando se apresentam como sendo de direita, liberais, ultraconservadores: o Vem pra rua, o Movimento Brasil Livre, o Revoltados Online. O novo conservadorismo deve ser observado. É uma nova cultura conservadora que tende a ler a política numa chave moralista, disciplinadora, e que gera muita barreira de classe. Os programas sociais são vistos como uma ação indevida do Estado, como se pobreza fosse um castigo devido. Quando esse espírito se dissemina, as relações entre as classes ficam bem mais complicadas. 

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