PA pode cancelar registro de 9 milhões de ha

A corregedoria-geral do Tribunal de Justiça do Pará recebeu um pedido de providências de quatro órgãos ligados à questão agrária para cancelar, em todos os cartórios do Estado, o registro de propriedades em nome de Carlos Medeiros, apontado como um dos maiores grileiros de terras do País. A área dessas terras alcança 9 milhões de hectares - maior do que os Estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe juntos - grilados dentro do território paraense por uma quadrilha que vem agindo desde 1975.A desembargadora Osmarina Sampaio Nery, que substitui o corregedor Benedito Alvarenga, doente, prometeu acelerar a tramitação do pedido. Ela recebeu em seu gabinete o presidente substituto do Incra, Eduardo Freire, procuradores do Ministério Público Federal e Estadual e do Instituto de Terras do Pará (Iterpa). Segundo Osmarina Nery, a velocidade do trabalho dependerá dos cartórios onde estariam registradas as propriedades supostamente pertencentes a Medeiros. O TJ vai mandar ofício a todos os cartórios para que enviem com urgência as informações. As terras em poder de Medeiros somariam 1.200 títulos, espalhados por 83 municípios paraenses. Uma das áreas estaria localizada na "bacia hidrográfica Tocantins-Xingu". Só que, no mapa do Pará, inexiste tal acidente geográfico. "As bacias do Rio Tocantins e do Rio Xingu são estanques e não se comunicam", observa o procurador da República Felício Pontes Júnior.

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