P-36: é preciso retirar 7 mil toneladas de água

A plataforma P-36, que sofreu três explosões na quinta-feira da semana passada, no Campo do Roncador, no litoral norte fluminense, parou de afundar ontem e ficou estabilizada em 23 graus de inclinação. Com isso, crescem as possibilidades de evitar o seu naufrágio. ?As chances cresceram?, disse o gerente-geral da Bacia de Campos, Carlos Eduardo Bellot. Por volta das 14 horas de hoje, o bombeamento de nigrogênio foi interrompido e, até o fim da tarde, não havia sido retomado. Segundo Bellot, para que a plataforma volte à sua posição normal, é necessária a retirada de pelo menos sete mil toneladas de água, das quais 700 toneladas já foram escoadas. O objetivo da operação é expulsar a água que está dentro dos flutuadores para mantar a plataforma estabilizada, eliminando o risco de naufrágio. ?Paramos porque muito nitrogênio estava sendo perdido devido a furos nos flutuadores. Tivemos que parar a operação para fechar esses orifícios e reiniciar o processo com mais eficiência, talvez ainda hoje?, adiantou Bellot. Ele ressaltou que não há prazo para o término da operação. ?É impossível prever porque dependemos das condições do mar.As ondas estão aumentado de tamanho e há previsão de uma frente fria para amanhã, que pode agitar o mar e dificultar o trabalho dos mergulhadores.? Bellot observou que vai usar também ar comprimido, mas não agora. Para usá-lo, a plataforma ainda precisa de um grau maior de estabilidade. ?As bombas de ar comprimido são mais eficientes para escoar a água, mas precisam ser colocadas dentro das colunas. Já o bombeamento de nitrogênio pode ser feito de fora da embarcação?, explicou. Há 41 técnicos - 20 deles são mergulhadores, sendo 11 estrangeiros - distribuídos em 18 barcos, trabalhando em volta da plataforma no trabalho de vedação e bombeamento de nitrogênio. A Marítima Engenharia, responsável pelo projeto de construção da plataforma, mandou três mergulhadores e o coordenador dessa equipe, Jeovah Lima, informou que a previsão é de que eles fiquem lá, no máximo, 15 dias. Lima explicou que eles trabalham em etapas de um hora, três vezes ao dia. ?Os melhores profissionais do Brasil estão na P-36. O que tem menos experiência já mergulha há mais de 15 anos?, comentou A Petrobrás também deslocou a plataforma P-23 para junto da P-36, de modo a utilizá-la como base de apoio de operações. Em nota oficial distribuída na tarde de ontem, a estatal disse que os resultados obtidos com as primeiras tentativas de salvar a plataforma P-36 ?são animadoras?. No final de semana, haviam sido bombeadas 4.100 toneladas de nitrogênio para expulsar água de dois dos compartimentos que estavam inundados. Recuperação - Bellot explicou que a P-36 tem seguro para naufrágio e avarias. ?O prêmio é de US$ 500 milhões (pouco mais de R$ 1 bilhão), para o caso de perda total, e de US$ 125 milhões (cerca de R$ 250 milhões) para cobertura de gastos com reparos e salvamento da embarcação?, informou. Ele observou que, se a plataforma não afundar, o objetivo seria repará-la para que volte a operar no Campo do Roncador. ?A maioria dos equipamentos eletrônicos está danificada, mas a estrutura ainda pode ser reaproveitada. É claro que ficará mais barato para a empresa reparar o equipamento do que construir um novo?. O engenheiro ressaltou que a Petrobrás estuda alternativas para manter a exploração de petróleo no Campo de Roncador, caso a P-36 naufrague.?Entre as possiblidades há o remanejamento de outras plataformas da Petrobrás ou afretamento de outro equipamento?, disse. Embora sem falar em cifras, Bellot admitiu que os prejuízos da Petrobrás com a interrupção da produção são grandes. ?Estávamos tirando 80 mil barris por dia de um óleo de boa qualidade, que custa cerca de de US$ 30 por unidade no mercado internacional.?

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