P-34 se estabiliza com inclinação menor, mas ainda há risco

A Petrobrás conseguiu reduzir em seis graus a inclinção da plataforma P-34, que corre o risco de afundar na Bacia de Campos, região produtora no litoral Norte do Estado do Rio. No início da noite, a inclinação da embarcação era de 26 graus e os ténicos da empresa começavam a bombear água para um segundo tanque no interior da plataforma. A operação deveria durar cerca de 18 horas, de acordo com o diretor-gerente de exploração e produção das regiões Sul e Sudeste, Carlos Tadeu Fraga.Após o bombeio para o segundo tanque, que tem capacidade de 5 milhões de litros, a empresa parte para a fase seguinte da operação de salvamento - o restabelecimento da energia na plataforma. Daí, começa a retirar parte dos 11 milhões de litros de óleo que estão em seus tanques, afim de recuperar completamente a estabilidade da embarcação. O primeiro tanque recebeu 1,8 milhão de litros de água do mar, segundo o executivo, o que provocou a redução do nível de inclinação da plataforma.Para o presidente do Sindicato dos Petroleiros do Norte-Fluminense, Fernando Carvalho, a notícia da redução do nível de inclinação é boa, mas a entrada de água na plataforma deixa a embarcação mais pesada, o que requer cautela. "A plataforma está voltando à posição normal aos poucos, mas está mais pesada e com mais risco de afundar", disse.O início da operação de bombeio para o segundo tanque demorou mais do que o previsto, segundo Fraga, porque houve dificuldade em conectar as mangueiras no casco da plataforma. A empresa conta com o apoio de especialistas estrangeiros em recuperação da estabilidade de navios e plataformas. Hoje, estavam a caminho de Macaé mais técnicos vindos da Holanda.BlecauteFraga disse que não é possível estabelecer uma conexão entre o blecaute ocorrido em maio na P-34 e o acidente de domingo. "Só posso dizer que tomamos todas as medidas necessárias depois da ocorrência de maio. Se há relação, só as investigações podem dizer", disse. O Sindicato dos Petroleiros do Norte-Fluminense vai pedir à direção da empresa um relatório sobre as medidas adotadas depois do primeior blecaute, quando a plataforma também teve que ser evacuada.Para um especialista em plataformas, é possível que a pane de energia tenha mesmo provocado a movimentação do óleo para o lado esquerdo da embarcação. Segundo ele, uma pane em meio à opração de bombeio do óleo entre os tanques poderia manter as válvulas abertas, possibilitando a passagem de mais óleo que o desejado. O maior problema, segundo ele, foi a falha no sistema de geração de energia de emergência. "Esse não pode falhar. Dá a impressão de má na manutenção da plataforma", disse a fonte.A plataforma P-34 foi vistoriada ainda este ano pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e pelo Departamento de Portos e Costas (DPC), da Marinha, e não apresentou nenhuma "pendência quanto ao cumprimento das determinações da Autoridade Marítima", segundo a ANP. A ANP voltou à plataforma após o blecaute ocorrido em maio, e acompanhou o restabelecimento das condições operacionais da plataforma.O diretor-gerente da Petrobrás disse que a comissão de investigação vai apurar também porque alguns dos funcionários tiveram que sair da plataforma a nado. "Há 90 vagas em barcos de salvamento em cada lado da plataforma, em uma baleeira e botes. Só que os funcinários que iriam nos botes não conseguiram se agarrar a eles. Os procedimentos não foram seguidos corretamente e ainda não sabemos porque", disse.

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