Oviedo visita Lula e evita dizer se irá rever Tratado de Itaipu

Ele é apontado como o 'candidato do Itamaraty' à Presidência do Paraguai, mas deixou Brasília sem apoio de Lula

Denise Chrispim Marin, de O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2008 | 20h02

Apontado pelos partidos de esquerda como o "candidato do Itamaraty" à Presidência do Paraguai, o general Lino Oviedo foi recebido nesta quinta-feira, 17, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto. Liberado pela Justiça de seu país das acusações de tentativa e incentivo a dois golpes de Estado, que lhe renderam prisão no Brasil e no Paraguai, Oviedo deixou Brasília sem o apoio do presidente Lula. Mas, na linha contrária de seus adversários de esquerda, Oviedo declarou que o Tratado de Itaipu não o preocupa.   "O Tratado de Itaipu deve ser analisado. Se houver alguma injustiça, tenho a certeza de que o povo e o governo brasileiros se disporão a corrigi-la. Mas não é tema de preocupações", afirmou o candidato da Unace, uma dissidência do tradicional Partido Colorado. "A briga nunca traz resultado bom", completou. Oviedo foi atendido por cerca de uma hora por Lula e pelo seu assessor especial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. Conforme relatou ao final do encontro, Lula lhe teria dito que não apoiaria nenhuma candidatura à eleição do próximo dia 20 de abril. Em Assunção, nos últimos dias, Oviedo tornou-se alvo de críticas pesadas de seus opositores. Em especial, por suas posições mais simpáticas sobre as relações do Paraguai como Brasil e os termos do Tratado de Itaipu, de 1973, que regulamenta o compartilhamento da energia elétrica gerada pela usina e a venda do excedente paraguaio ao mercado brasileiro.  Na semana passada, o candidato da Aliança Patriótica para a Mudança (APC, em espanhol), o ex-bispo Fernando Lugo, declarou que Oviedo havia se tornado o "candidato do Itamaraty". Primeiro, por não pretender renegociar o Tratado de Itaipú. Segundo, porque Oviedo teria afirmado, durante um jantar com o empresário brasileiro Valter Samada, que será o "embaixador verde-amarelo" no Paraguai se for eleito em abril. Por sua vez, o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Júlio López, acusou Oviedo de querer transformar o Paraguai em mais um Estado brasileiro.  Aos 64 anos, o polêmico "candidato do Itamaraty" foi deposto do Comando do Exército paraguaio, em 1996, ao ser acusado de organizar um golpe de Estado. No ano seguinte, foi indicado como candidato do Partido Colorado à Presidência, mas teve de recuar ao se ver condenado pelo Tribunal Militar Extraordinário a dez anos de prisão. Em 1998, foi indultado pelo então presidente Raúl Cubas. Mas, no ano seguinte, acabou apontado como um dos responsáveis pela morte do vice-presidente, Luís María Argaña. Em 2000, foi acusado de armar um novo golpe, desta vez contra o então presidente Luís González Macchi, em 2000. Exilado no Brasil por cinco anos, Oviedo retornou espontamente ao Paraguai em setembro do ano passado e foi preso. Mas acabou inocentado pela Justiça de seu país e lançou-se candidato à sucessão presidencial.

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