Oviedo quer concorrer à presidência do Paraguai em 2003

O general da reserva Lino Oviedo garantiu hoje, em entrevista coletiva, que vai retornar ao Paraguai tão logo seus advogados, tanto no Brasil quanto naquele país, consigam resolver os problemas judiciais que envolvem seu nome no Paraguai. Oviedo disse não temer ser preso, caso retorne a seu país de origem. "Eu nasci no Paraguai e vou morrer no Paraguai", disse ele. "Pode ser numa cela de prisão, numa jaula ou num sótão, pois só meu corpo estará preso". Ele assegurou que vai concorrer às eleições presidenciais de 2003 no Paraguai, "para dar mais dignidade" a seu país. Segundo Oviedo, o atual governo paraguaio não foi eleito pelo povo e é composto por "uma oligarquia que vem saqueando o Paraguai há mais de 50 anos". O general agradeceu a hospitalidade do povo brasileiro que o acolheu e elogiou a Justiça do Brasil. "Quando eu fui preso em Foz do Iguaçu, amigos brasileiros me afirmaram que aqui havia Justiça e não aconteceria o mesmo que aconteceu no Paraguai", lembrou. Oviedo descartou que seja uma ameaça à estabilidade política de seu país. "Eu fiquei 18 meses preso, fora de cenário. O que desestabiliza o Paraguai é a pobreza, a insegurança e a miséria", afirmou. Segundo ele, 36% da população paraguaia é analfabeta, e há 500 mil deficientes físicos por falta de atenção médica adequada. "O meu povo sofre de sífilis, raquitismo e tuberculose", lamentou. "Se querem que o povo goste da liberdade, é preciso liberá-lo da ignorância", disse. Ele informou ainda que vai lançar um livro, provavelmente ainda este ano, chamado "A Injustiça da Justiça". Ele chegou a brincar quanto à informação veiculada pelo jornal paraguaio ABC Collor, segundo a qual ele seria o pai do filho que a cantora mexicana Gloria Trevi está esperando. "Como, se ela estava na Polícia Federal e eu na Polícia Militar? Eu não poderia engravidá-la por telefone", afirmou.

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