Oviedo prefere arroz com leite e cautela

Consultar os jornais paraguaios pela internet, conversar com parentes e advogados, fazer exercícios físicos, dedicar-se a seu livro de memórias e degustar arroz com leite, uma típica comida paraguaia.Esta foi a rotina do ex-general paraguaio Lino Oviedo, no primeiro dia de prisão domiciliar. Segundo seus advogados, Walter Costa Porto (que também é ministro do Tribunal Superior Eleitoral) e Paulo Afonso Martins de Oliveira, Oviedo estava "muito bem e feliz".O ex-general conquistou na última quarta-feira autorização do Supremo Tribunal Federal para ser transferido do 3º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (onde estava preso há um ano) para a residência de seu primo Roque de Oliveira, no Lago Sul, onde está sob vigilância policial.Depois da transferência, na noite desta quinta-feira, Oviedo conversou até tarde com parentes. Mas levantou-se hoje às 9h10 e comeu frutas. Sua maior expectativa era a chegada da mulher, Raquel, e dos três filhos menores.Durante todo o dia desta sexta-feira ele se manteve distante das câmeras dos fotógrafos e evitou dar declarações à imprensa.A idéia é não prejudicar, com qualquer tipo de declaração, o julgamento do pedido de refúgio que está sendo analisado pelo Conselho Nacional de Refugiados (Conare).O vice-presidente do Conare, Paulo Tarise, pediu vistas no processo e irá devolvê-lo no dia 13. Os advogados acreditam que uma comissão do Conare deverá ouvir Oviedo na casa do primo para então julgar o pedido.A ida de Oviedo para a casa do primo acabou modificando a rotina dos vizinhos. Alguns chegaram a queixar-se da presença da imprensa nas calçadas de suas casas.Formada em Ciências Políticas, a professora aposentada Rosinete Soares, vizinha do lado, chegou a dar sua opinião sobre o problema político que envolve o ex-general paraguaio, isto é, a acusação de que Oviedo teria tentado dar um golpe militar no país."Como pessoa de crime político tem meu respeito, porque é um criminoso por fé, por crença", disse a professora. "Mas tenho dúvidas se é culpado pelos crimes de assassinato de que é acusado."Sem o primeiro grau completo, o auxiliar de pintor Cleuber da Silva, que trabalhava na casa em frente, não sabia ao certo quem era a pessoa ilustre que contava com a proteção policial e chamou a atenção da imprensa. "Acho que é ladrão e já temos tantos aqui, por que ficar aceitando os do Paraguai?"Além do ex-general Lino Oviedo, que está cumprindo desde quinta-feira prisão domiciliar em Brasília, outros dois políticos paraguaios procurados pela Justiça de seu país receberam asilo político no Brasil - os ex-presidentes Alfredo Stroessner e Raúl Cubas.Stroessner mora em Brasília e desde o ano passado cumpre prisão domiciliar, requerida pela Justiça paraguaia e aceita pela brasileira. Ele é acusado da morte de pelo menos 70 opositores, quando governou ditatorialmente o Paraguai - de 1954 a 1989.Entre os crimes que lhe são imputados está o assassinato, em 1977, do médico Augustín Goiburu, que recusara firmar laudos que atribuíam causas naturais a mortes provocadas por tortura.Cubas vive desde 1999 em Camboriú, Santa Catarina, após ser deposto sob a acusação de tramar, com Oviedo, o assassinato do então vice-presidente, Luis María Argaña.

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