Outros servidores podem estar envolvidos com novos atos

Ralph Siqueira deve responder a processo administrativo disciplinar, sob risco de ser demitido do Senado

Carol Pires, Agência Estado

14 de agosto de 2009 | 13h18

Uma fonte da Diretoria Geral do Senado disse à Agência Estado que outros servidores, além do ex-diretor de Recursos Humanos, Ralph Siqueira, podem ser responsáveis pela inclusão de 468 atos secretos que ainda não tinham sido descobertos no sistema de publicação da Casa. Segundo esta fonte, técnicos da Diretoria Geral estão investigando as responsabilidades, e, ao final dos trabalhos, Ralph Siqueira deve responder a processo administrativo disciplinar, sob risco de ser demitido do Senado.

 

A Diretoria-Geral não tem prazo para concluir as investigações, mas o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), agendou nova reunião da Mesa Diretora para a próxima quinta-feira, e o primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM-PI) pediu aos técnicos que apressem a apuração. É possível, segundo a Diretoria-Geral, que a conclusão seja apresentada durante a reunião do conselho diretor. Ralph Siqueira participou da primeira comissão criada no Senado para apurar a existência dos atos secretos no Senado.

 

No final, a comissão encontrou 663 atos sigilosos, mas depois o número foi corrigido para 511, pois alguns, segundo foi descoberto depois, haviam sido publicados ou no Boletim Administrativo de Pessoal, ou no Diário Oficial do Senado. Ralph Siqueira foi nomeado diretor de Recursos Humanos em março deste ano e deixou o cargo em junho. Ele é conhecido no Senado como um dos homens de confiança de Agaciel Maia, ex-diretor do Senado por 14 anos, até ser exonerado do cargo sob denúncia de ter ocultado da Justiça uma mansão avaliada em R$ 5 milhões.

 

Ontem, sem citar nomes, Heráclito Fortes disse que quem inseriu as medidas administrativas no sistema, o fez porque queria "sabotar" a atual gestão do Senado. "Considero sabotagem, molecagem, por parte de servidores que se acham fundamentalistas e acreditam que ainda vão voltar ao poder", disse Heráclito, insinuando que o grupo de Agaciel está por trás da manobra.

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