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Outro delator falará de Palocci, diz doleiro

Youssef afirma na CPI que colaborador vai tratar de repasse para campanha de Dilma em 2010 e reitera que Planalto sabia de esquema

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2015 | 23h39

Brasília - Em acareação de cinco horas com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, na CPI que investiga o esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef afirmou ontem que outro delator vai esclarecer “quem repassou recurso” ao ex-ministro Antonio Palocci. O dinheiro teria sido usado para financiar, em 2010, a campanha da então candidata Dilma Rousseff.

“Eu vou me reservar ao silêncio com referência a esse assunto porque existe uma investigação do Palocci, e logo vai ser revelado e será esclarecido o assunto. Tem outro réu colaborador que está falando”, disse Youssef, um dos principais delatores da Lava Jato, assim como Costa. “Eu não fiz esse repasse. Assim que essa colaboração for noticiada, vocês vão saber realmente quem foi que pediu recurso e quem repassou esse recurso.”

Ao falar sobre o outro delator, Youssef rebateu delação feita por Costa à Polícia Federal. No depoimento, tornado público em março, o ex-diretor disse que Youssef o procurou em 2010 afirmando que Palocci pedira contribuição de R$ 2 milhões para a campanha de Dilma. “Eu autorizei o Youssef a fazer. Mas quem me trouxe esse assunto foi o Youssef e quem operacionalizou foi o Youssef. Eu não tive nenhum contato nem com o Palocci e muito menos com a Dilma sobre esse fato. Isso tudo veio pelo Youssef”, disse Costa na época. Ontem, o ex-diretor afirmou à CPI ter prestado 126 depoimentos, “todos de domínio público”, e que não tinha mais nada a acrescentar.

Youssef declarou que nem sequer conhece o ex-ministro. “Eu não conheço o Palocci, não conheço o assessor, nem o irmão e ninguém fez pedido a mim para que eu arrebanhasse recurso para a campanha da Dilma de 2010”, disse o doleiro.

A assessoria de imprensa do ex-ministro divulgou nota na qual diz que “Antonio Palocci reafirma que jamais fez qualquer pedido para a campanha de 2010 a Paulo Roberto Costa, seja diretamente, seja por meio de Alberto Youssef ou qualquer outro intermediário”.

O doleiro repetiu na CPI da Petrobrás que, em seu entendimento, havia conhecimento do Planalto sobre o esquema, mas não citou os nomes de Dilma ou de Lula. Costa teria pedido uma “sinalização” ao Planalto sobre mudanças no comando do PP e a continuidade do esquema. O ex-diretor afirmou que nunca conversou com Dilma ou Lula sobre sua nomeação e que o convite ao posto fora feito por José Janene, deputado do PP morto em 2010.

Gleisi. Tanto Youssef como Costa reiteraram ter repassado R$ 1 milhão para a campanha ao Senado de Gleisi Hoffmann (PT-PR), em 2010. O valor teria sido intermediado pelo marido da parlamentar, o ex-ministro Paulo Bernardo. O casal nega uso de dinheiro do esquema na campanha.

Na CPI, ao ser pressionado pelo deputado Celso Pansera (PMDB-RJ), Youssef disse que o parlamentar seria o autor de intimidações contra ele e sua família. Por sua vez, o deputado rebateu afirmando se sentir ameaçado pelas declarações do doleiro e recebeu apoio do presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-PB). 


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