ANDRE DUSEK/ESTADAO
ANDRE DUSEK/ESTADAO

Outro aniversário

Ao ignorar denúncias e índices de desaprovação de seu governo na festa que promoveu, Temer acabou por produzir uma comemoração fake

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2018 | 05h00

Michel Temer ignorou completamente um aspecto importante de seus dois anos de governo no balanço para lá de positivo que fez no evento desta terça-feira no Palácio do Planalto, nas peças publicitárias e em artigo sobre a recuperação da economia promovida por sua administração.

Mas, como efemérides não seguem a “lógica Ricupero”, aquela segundo a qual o que é bom a gente mostra e o que é ruim a gente esconde, outro aniversário espreita o presidente: nesta quinta-feira completa um ano o caso J&F, que eclodiu em 17 de maio de 2017 e tragou o governo para a impopularidade recorde da qual não consegue sair.

Ao ignorar tanto as duas denúncias de que foi alvo quanto os índices de desaprovação de seu governo na festa modesta que promoveu, Temer acabou por produzir uma comemoração fake, em que a menção às reais conquistas econômicas parece só uma tentativa pálida de melhorar a imagem.

Melhor seria enfrentar todos os aspectos dos dois anos, ainda que para se contrapor à narrativa de que o presidente tenha cometido ilícitos antes ou depois de assumir. Temer já o fez em outras circunstâncias, com maior ou menor ênfase, e as próprias circunstâncias obscuras que cercam o acordo de delação com Joesley, Wesley e companhia lhe dão alguns argumentos.

Ao simplesmente tentar fugir do assunto, ele cai na armadilha de se deparar com o outro aniversário menos auspicioso poucos dias depois. E certamente ele será lembrado, mesmo que sem bolo ou Parabéns a você.

NOIVA COBIÇADA

PSB começa conversas para definir aliança

Ainda atordoado por ter sido deixado no altar por Joaquim Barbosa, o PSB iniciou ontem as negociações com outros partidos desejosos por desposá-lo. A conversa com Gleisi Hoffmann tem como foco principalmente acordos nos Estados. O jogo nacional parece mais voltado para Geraldo Alckmin – o preferido das seções do Sul e do Sudeste – e Ciro Gomes, que flerta com a ala do Nordeste. O governador de São Paulo, Márcio França, puxa a sardinha para Alckmin, que foi avisado de que ajudará as coisas a avançar se oferecer a vice a um pessebista e se afastar de Michel Temer. Ciro espera ansiosamente o encontro, hoje, entre o presidente de seu partido, Carlos Lupi, e o do PSB, Carlos Siqueira.

DILEMA PETISTA

Tirar Dilma da disputa seria visto como ‘novo golpe’

O PT de Minas vive um dilema diante da postulação apresentada por Dilma Rousseff de uma candidatura ao Senado. A entrada da ex-presidente na chapa de Fernando Pimentel dificulta a aliança com o MDB, que pode acabar nos braços de Antonio Anastasia (PSDB). Por outro lado, o partido não tem como negar legenda a Dilma: se o PT sustenta até hoje que ela foi vítima de golpe, não teria como justificar ser responsável por um novo revés para ela.

FINAL DE PINDA

Aliados de Ciro sonham com 2º turno com Alckmin

Aliados de Ciro Gomes não escondem que sonham com um segundo turno entre o pedetista e o tucano Geraldo Alckmin. E juram que não se trata de cálculo eleitoral. “É um segundo turno que favorece o diálogo pós-eleitoral, vença quem vencer. São duas pessoas de boa índole, bom caráter e que têm espírito público”, enumera o ex-governador Cid Gomes à coluna. Faltou dizer que são conterrâneos: os dois nasceram em Pindamonhangaba (SP).

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