Adriano Machado / Reuters
Adriano Machado / Reuters

‘Outras acusações virão’, diz Bolsonaro sobre o caso Marielle

Presidente fala sem ser questionado sobre o episódio, e sugere haver ‘armações’ para implicar seu nome

Mateus Vargas e Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2019 | 11h24
Atualizado 13 de dezembro de 2019 | 20h54

BRASÍLIA – Sem ser questionado sobre o assunto, o presidente Jair Bolsonaro voltou a falar nesta sexta-feira, 13, das investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e de seu motorista Anderson Gomes, em março de 2018. “No caso Marielle, outras acusações virão. Armações, vocês sabem de quem”, disse Bolsonaro, sem citar nomes. “Mas a gente tem um compromisso, mudar o destino do Brasil”, emendou.

A declaração foi feita em frente ao Alvorada, onde Bolsonaro costuma parar para conversar com apoiadores. Ele falava sobre o governo estar apresentando bons resultados, “apesar de grande parte da imprensa”.

Bolsonaro, no entanto, já atribuiu mais de uma vez ao governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), a tentativa de vinculá-lo ao caso Marielle, mas nunca apresentou evidências. No fim de outubro, o presidente acusou o governador de atuar pessoalmente para que informações do inquérito fossem vazadas para a imprensa, como forma de se credenciar para a disputa à Presidência em 2022.

“Por que essa sede de poder, seu governador Witzel? O senhor quer destruir a minha família para chegar à Presidência da República?” disse ele, durante uma transmissão ao vivo feita nas redes sociais. 

Poucas horas antes, reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, revelava o conteúdo do depoimento do porteiro do condomínio Vivendas da Barra, no Rio, onde Bolsonaro e um dos acusados do crime, Ronnie Lessa, têm casa. Ele afirmou que, no dia do duplo assassinato, um homem chamado Elcio (que seria Elcio Queiroz, outro acusado do crime) chegou ao condomínio e anunciou que iria à casa 58, onde morava Bolsonaro. 

O porteiro relatou que ligou para a casa 58, e que “seu Jair” atendeu e autorizou a entrada. Bolsonaro, porém, era deputado na época e estava em Brasília naquele dia, segundo os registros da Câmara. 

Cinco dias depois, Bolsonaro voltou a acusar Witzel de manipular as informações do inquérito para implicá-lo no crime. “(Witzel) Não podia ter acesso a um processo em segredo de Justiça. Mais do que isso, né? A minha convicção é de que ele agiu no processo para botar meu nome lá dentro”, afirmou Bolsonaro em uma concessionária de Brasília, onde foi buscar uma moto que comprou. 

No dia 19 de novembro, o porteiro depôs novamente, desta vez no inquérito aberto pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, para apurar “tentativa de envolvimento indevido” do presidente da República no episódio, e mudou de versão. Ele afirmou acreditar que lançou o número errado da casa no registro de entrada e saída do condomínio. 

Dois dias depois, no lançamento do Aliança pelo Brasil – partido que deseja criar – Bolsonaro afirmou: “(Witzel) tenta destruir quem está do meu lado usando a Polícia Civil do Rio”.

Em nota divulgada no fim de outubro, o governador do Rio lamentou a manifestação do presidente e disse que foi atacado injustamente. “Jamais houve qualquer tipo de interferência política nas investigações conduzidas pelo Ministério Público e a cargo da Polícia Civil”, disse Witzel. “Não transitamos no terreno da ilegalidade, não compactuo com vazamentos à imprensa. Não farei como fizeram comigo, prejulgar e condenar sem provas. Fui atacado injustamente.” 

Escritório em Jerusalém

Bolsonaro disse ainda em frente ao Alvorada que seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), está em Jerusalém, Israel, acompanhado pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, para inaugurar um escritório de negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).

Segundo informações do site da Apex, o escritório será aberto no dia 15 de dezembro. Bolsonaro já prometeu diversas vezes transferir a embaixada do Brasil de Tel-Aviv para Jerusalém. Pressionado por possível boicote de países árabes, no entanto, o governo brasileiro decidiu abrir apenas o escritório de negócios até agora.

No fim de novembro, o presidente reafirmou que deseja transferir a representação diplomática do País para Jerusalém. “É um simbolismo apenas, mas que vale muito para quem acredita em Deus. Vamos atingir esse objetivo sem traumas”, disse.

Nesta sexta, Bolsonaro foi recepcionado em frente ao Alvorada por um padre acompanhado por um coral de crianças. Também posou para fotos com o presidente um homem vestido de papai noel que fez sinal de “arminha” com as mãos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.