Outra vez, candidatos usam dados imprecisos

Marta reivindica criação de Cepacs, que não instituiu, e Kassab cita números não aplicados

Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

21 de outubro de 2008 | 00h00

No debate da TV Record, anteontem, mais uma vez os candidatos Marta Suplicy (PT) e Gilberto Kassab (DEM) apresentaram informações imprecisas sobre seus governos. Os ataques improvisaram-se com números arredondados, projetos arquivados e até um caso de apropriação de conceito de gestão.Marta reivindicou a criação dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), moeda de troca para viabilizar operações urbanas na cidade, como Água Espraiada e Faria Lima. No entanto, o Cepac teve origem em projeto de lei do então vereador Marcos Cintra, em 1995, hoje vice-presidente da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e vereador reeleito pelo PR. O instrumento foi usado na Operação Urbana Faria Lima, ainda na gestão de Paulo Maluf (PP).Segundo Cintra, o Cepac, que garante verba extra para a prefeitura, foi incluído no Estatuto das Cidades. Marta apenas o colocou no Plano Diretor e Estratégico de São Paulo.Já Kassab levanta números que sua gestão ainda não aplicou ou não divulga à sociedade civil. Na saúde, o investimento de R$ 3,2 bilhões para este ano é uma previsão. Segundo último levantamento consolidado da Secretaria Municipal de Saúde, o prefeito gastou R$ 2,6 bi.Com relação à habitação, Kassab apresentou uma informação que não disponibilizou ao Movimento Nossa São Paulo, principal ONG de fiscalização da administração paulistana. Mesmo com reiterados pedidos, a entidade não conseguiu dados sobre déficit habitacional e famílias atendidas.Assim como no debate anterior, Marta atacou o pedágio urbano - com mais um projeto arquivado. O documento encaminhado por Kassab à Câmara, que previa pedagiamento de duas novas faixas das marginais do Pinheiros e do Tietê foi retirado em maio de 2007.

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