Outra conta que seria de Maluf recebeu US$ 200 milhões

Extrato bancário da White Gold Foundation, da qual Paulo Maluf seria beneficiário, revela depósitos na conta 679.230.60 do UBS de Zurique que somam US$ 200 milhões em apenas dois dias, em 1995. Foram dois depósitos, de US$ 50 milhões cada, no dia 22 de dezembro. Outros dois, do mesmo valor, no dia 27. O extrato faz parte da documentação que a Suíça enviou às autoridades brasileiras e que o Ministério Público vai usar para processar o ex-prefeito por suposto ato de improbidade e enriquecimento ilícito. Os promotores que investigam Maluf acreditam que ele transferiu, em 1997, todos os ativos para a Ilha de Jersey. A informação sobre a movimentação da White Gold foi dada pelo Jornal Nacional da Rede Globo, ontem. O repórter Cesar Tralli obteve com exclusividade cópia do extrato de uma das 10 contas que a fundação manteve no UBS, com investimentos em dólar, franco suíço, iene e marco alemão. Outro documento enviado pela Suíça é o estatuto da White Gold, datado de 14 de dezembro de 1990. O regulamento, que teria assinatura de Maluf, o coloca na condição de beneficiário da fundação, constituída em Vaduz, Principado de Liechtenstein. A cláusula 2 prevê que, em caso de morte de Maluf, os investimentos da White Gold serão divididos assim: metade para a mulher, Sylvia, e a outra metade em partes iguais para os 4 filhos, Lígia, Otávio, Flávio e Lina. A Suíça informou que, logo depois da abertura da conta 679.230.60, um funcionário do UBS foi autorizado a movimentar o dinheiro. Existe uma procuração, em papel timbrado do UBS, autorizando o funcionário a fazer movimentações em nome de Maluf. A procuração dá poderes a Sylvia e aos filhos do casal Maluf para dar orientações ao funcionário do banco. A Secretaria dos Negócios Jurídicos da Prefeitura obteve cópia de todos os documentos enviados pela Suíça na 4.ª Vara da Fazenda Pública da Capital, onde o Ministério Público ingressou com ação cautelar de seqüestro de bens e valores de Maluf. O secretário Luiz Tarcisio Teixeira deve ir à Suíça e a Jersey em julho. Entre os papéis há também uma procuração, de 11 de abril de 1995, por meio da qual Maluf nomeia como representante legal da White Gold em Vaduz o escritório de advocacia Batliner and Tartner. O advogado Mathias Donhauser é escolhido pelo escritório para gerenciar a fundação. "Isso é outra farsa com objetivo eleitoral", reagiu Maluf, referindo-se ao estatuto da White Gold e ao extrato bancário. "Não fiz esse documento, não assinei estatuto algum, lá sei o que é isso." Maluf ressaltou que em 1990 não era prefeito - ele tomou posse em janeiro de 1993. E atribuiu o vazamento da informação ao promotor de Justiça Silvio Marques. "O promotor é um covarde, estabeleceu um Estado iraquiano e comete crime funcional porque não abre ação contra mim e não me mostra tais documentos", insistiu o ex-prefeito. Marques comunicou ontem mesmo o fato ao procurador-geral de Justiça, Rodrigo César Pinho, a quem esclareceu não ter divulgado nenhum dado.

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