Otimismo marca congresso da Associação Nacional de Jornais

O otimismo marcou a abertura do 3º Congresso da Associação Nacional de Jornais (ANJ), que reuniu hoje no Rio cerca de 300 participantes, entre editores e proprietários de jornais. No discurso de abertura, o presidente da instituição, Francisco Mesquita Neto, também diretor-superintendente do Grupo Estado, comemorou o crescimento da mídia impressa no Brasil. "Mostraram-se simplistas as previsões de que os jornais desapareceriam em pouco tempo, suplantados pelas informações transmitidas via internet", disse Mesquita Neto. "Os jornais não apenas superaram as previsões sombrias como conseguiram índices significativos de crescimento pelo fato de que souberam mudar; e continuam mudando."Segundo ele, os jornais evoluíram porque passaram por profundas transformações estruturais. Ele lembrou que, num espaço de seis anos, houve um pequeno declínio dos investimentos publicitários, compensado pela multiplicação por três da circulação dos chamados jornais populares. "Hoje vivemos em um cenário de competição mais agressivo, e se temos conseguido enfrentá-la, firmando nossa posição no mercado, com certeza vamos conseguir isso no futuro, caso soubermos acelerar o processo de mudanças."Mesquita Neto citou também os grandes desafios do setor: a credibilidade da imprensa, o mercado editorial e suas perspectivas, a questão da integração da redação com a publicidade e a circulação e a convergência multimídia do futuro.O congresso prossegue nesta terça-feira com o Fórum de Editores, que debaterá as redações multimídias, enquanto os proprietários de jornais discutirão a integração entre a redação a publicidade e a circulação.PesquisaO jornal é o meio de comunicação de maior credibilidade em relação aos demais; a maioria de seus leitores é composta por homens, com mais de 40 anos; e de um total 12 milhões de leitores nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília e Recife, 3,9 milhões (37%) lêem diariamente os jornais, que têm cobertura de 79% dessas cidades.Os resultados são de pesquisa realizada com 1.605 entrevistados, entre dos dias 18 e 20 de julho, e foram apresentados hoje na abertura do congresso.Para o presidente da ANJ, a credibilidade de que os jornais gozam na sociedade está relacionada a investimentos que estão sendo feito no setor, que vão desde o aprimoramento gráfico, aos meios que permitem a maior velocidade na transmissão da informação e a especialização dos profissionais das redações.Francisco Mesquita Neto observou que, assim como venceu do desafio do rádio e da televisão, no passado, o jornal sobreviveu à internet, encontrando nesse novo meio um aliado. Portanto, está se preparando, nesse momento, para atuar também com novas tecnologias, garantindo o seu espaço entre os meio de comunicação, com o reconhecimento de sua importância pela sociedade.Ao apresentar os dados da pesquisa, o diretor-geral do Instituto DataFolha, ao qual a ANJ a encomendou, Mauro Francisco Paulino, destacou os dados indicando que, quando o entrevistado assinala, apenas uma resposta entre os diversos meios de comunicação e os instrumentos de representação da sociedade, o jornal aparece em 2º lugar com 15% das preferências, atrás apenas da Igreja Católica, com 30% das preferências. Mas à frente das Igrejas Protestantes (11%), emissoras de televisão (11%), emissoras de rádio (5%), Internet (5%), Judiciário (4%), governo federal (3%), revistas (3%), clubes de futebol (2%), Congresso Nacional (1%) e partidos políticos (0%).Quando o entrevistado tem o direito da múltipla escolha - na realidade três opções, respondendo à mesma pergunta em quem confia mais, os jornais lideram com 45% das preferências seguidos da Igreja Católica (41%) e das emissoras de televisão (38%), os partidos políticos antes com zero chegam a 2%, continuam na traseira em relação aos demais veículos e instituições de representação da sociedade.De acordo com a pesquisa, os jornais têm notícias ruins demais, em especial excessivas quando se tratam de assuntos econômicos e políticos. O que pode ser medido pela preferência dos leitores, pois metade alega não buscar assunto específico e entre os que buscam o esporte aparece em primeiro lugar com 11% das preferências seguido de classificados (7%), política (7%), economia (5%), polícia (4%) e manchetes (3%).

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