André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Osmar Terra diz que recursos para pagamento do 13º do Bolsa Família estão garantidos

Ministro da Cidadania confirmou afirmação do presidente da República sobre anúncio no balanço dos 100 dias de governo; recurso virá do combate à fraudes no programa

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 17h43

BRASÍLIA - O ministro da Cidadania, Osmar Terra, afirmou nesta segunda-feira, 8, que os recursos para o pagamento do 13º salário para os integrantes do Bolsa Família sairão do Tesouro. Terra ressaltou que os pagamentos estão garantidos e que isso será anunciado no balanço dos 100 dias de governo, conforme já antecipou o próprio presidente Jair Bolsonaro.

"O presidente já anunciou que vai pagar (o 13º do Bolsa Família). Nos dois últimos anos, nós reduzimos em R$ 15 bilhões o gasto com auxílio-doença, reduzimos o (número de beneficiários) Bolsa Família. De 17 milhões de famílias em 2015, hoje tem 13,9 milhões. E isso foi graças a um pente fino e isso reflete no orçamento deste ano", disse o ministro.

Segundo ele, a Junta Orçamentária já decidiu que parte dessa economia vai para o pagamento do Bolsa Família. "O dinheiro que economizamos com as ações de pente-fino nos últimos dois anos refletem no orçamento deste ano. Então, sai dessa vala, porque senão o Tesouro engole tudo. O dinheiro vem todo dessa vala comum", explicou o ministro.

Na noite da última quinta-feira, 4, o presidente Bolsonaro antecipou que irá cumprir a promessa de campanha e pagar o 13º do Bolsa Família. Em uma transmissão ao vivo no Facebook, ele disse que os recursos para viabilizar o pagamento virão do combate à fraude no programa. "De onde virá o recurso? Do combate à fraude. Existe muita fraude. Então vamos continuar esse trabalho muito cansativo porque tem que pegar um a um, fazer cruzamentos, mas está dando resultado e o 13º está garantido para o pessoal do Bolsa Família no final do ano", declarou o presidente.

MDB no Ministério. Terra também tentou minimizar as especulações sobre uma possível saída do cargo do secretário de Esporte, general Marco Aurélio Vieira, área agora subordinada à sua pasta. "Por enquanto não tem mudança. Precisamos botar o bloco na rua. Nossa dificuldade é juntar três ministérios em um e fazer funcionar lá na ponta. Não tem de ficar mudando secretários. Tem é de fazer eles trabalharem e todos estão", declarou o ministro, ao ser questionado se a Secretaria de Esporte poderia ser entregue ao MDB, com João Manoel Santos Souza, do Maranhão, que seria ligado ao ex-presidente José Sarney.

Osmar Terra reconheceu, no entanto, que "há um jogo de interesses, de bastidores", sem querer especificá-los. Afirmou ainda que não dá para ficar preocupado com essas especulações porque "se ficarmos preocupados com isso, não fazemos nada".

Vieira esteve reunido com o presidente Jair Bolsonaro na manhã desta segunda-feira, sem a presença do titular da pasta. O ministro Osmar Terra, por sua vez, estará com Bolsonaro no final da tarde. "Ele tinha uns assuntos dele, específicos, para tratar com o presidente", desconversou o ministro, acrescentando que "não tem nada disso (de o secretário de Esportes estar deixando o cargo)".

As mudanças na pasta começaram a ser discutidas no contexto de ampliar a base partidária do governo no Congresso, no momento em que o Planalto tenta conseguir os 308 votos necessários para aprovar a reforma da Previdência. Santos Souza é filho do ex-senador João Alberto, que hoje preside o MDB maranhense.

Osmar Terra também é do MDB, que tenta se cacifar para preencher a vaga no Ministério da Cidadania. Diante da dificuldade de ampliação da base e obtenção dos votos, o presidente Jair Bolsonaro inaugurou, na semana passada, uma conversa com os presidentes dos partidos. Ele promete dar sequência aos encontros nesta semana com mais seis dirigentes.

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