Osmar Dias pede autorização ao PDT para se aliar com PSDB no Paraná

Senador é cortejado pelo PT para ser candidato ao governo do Estado, mas deseja disputar reeleição em chapa de tucanos

Carol Pires/BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2010 | 17h44

Cortejado pelo PT para ser candidato ao governo do Paraná, o senador Osmar Dias encaminhou nesta sexta-feira, 18, à Executiva Nacional do partido dele, o PDT, um pedido de autorização para formar aliança com o PSDB no Paraná. Neste caso, ele tentaria a reeleição ao Senado na chapa encabeçada pelo tucano Beto Richa, candidato ao governo do Estado.

 

Apesar da decisão do senador Osmar Dias em fazer a consulta à Executiva Nacional, nem o PDT nem o PT dão como encerradas as negociações. O presidente do PT nacional, José Eduardo Dutra, disse que conversou nesta tarde com o presidente do PDT e com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e que ouviu dele a promessa de que trabalharia pela composição da aliança PT-PDT no Paraná.

 

Os dois marcaram uma reunião para segunda-feira à noite, em Brasília, com a presença do presidente do PMDB, Michel Temer, além de Osmar Dias e do governador do Paraná Orlando Pessuti (PMDB). Dutra avalia que, se Osmar Dias esperar até a reunião de segunda-feira, ainda há a possibilidade de um acordo, no qual Pessuti desistiria da reeleição e apoiaria Dias ao governo.

 

O secretário-geral do PDT, Manoel Dias, disse que, quando receber a consulta de Osmar Dias, convocará reunião da Executiva para decidir se o senador será ou não liberado para formar chapa com os tucanos. A cúpula pedetista, no entanto, deve esperar o encontro de Dias com Dutra, Temer e Pessuti para se reunir.

 

Se confirmada a decisão de Osmar Dias em ir para o lado do PSDB, a Executiva do PDT poderá decidir entre três opções, segundo Manoel Dias: negar a Dias o pedido de aliança com os tucanos; permitir a aliança; ou permitir a aliança parcialmente, deixando o senador se coligar ao PSDB, mas sem autorizá-lo a subir no palanque do presidenciável José Serra.

 

Negociações

 

Osmar Dias passou as últimas semanas negociando paralelamente com PT e PSDB. A ideia inicial do senador era concorrer ao governo do Estado. Para isso, foi convidado pelo PT para formar uma aliança. Dias, porém, exigia que Gleisi Hoffmann, mulher do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, fosse a candidata a vice-governadora na chapa dele. Assim, na avaliação do senador, seria mais fácil atrair outras alianças.

 

O PT, no entanto, foi irredutível. Por causa disso, Osmar Dias aponta que aliados dele no Paraná migraram para a aliança tucana em torno de Beto Richa e ele ficou isolado. "Esperei demais. E, se eu ainda demorar mais, ficarei sem aliança até para concorrer ao Senado", disse, ao explicar porque havia decidido pedir autorização do PDT Nacional para abandonar as conversar com o PT e disputar a eleição ao lado dos velhos aliados tucanos.

 

Sem aceitar que Gleisi perdesse a vaga de candidata ao Senado, o PT passou a pressionar o PMDB a desistir da candidatura do atual governador Orlando Pessuti à reeleição para apoiar Osmar Dias. Pessuti chegou a se reunir com o presidente Lula e negou o pedido para desistir da reeleição. "Não trabalho mais com essa hipótese, porque o próprio Pessuti deu entrevistas dizendo que não desistirá", afirmou Osmar Dias.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.