Osmar Dias deve anunciar nesta quinta candidatura ao governo do Paraná

Como por mais de uma vez Osmar Dias disse que seria candidato e recuou depois, os articulados admitem estar receosos de anunciar o acordo

Carol Pires/BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2010 | 23h06

Lideranças do PT e do PMDB já dão como certa a candidatura do senador Osmar Dias (PDT) ao governo do Paraná. A novela, porém, já se arrasta há meses, com idas e vindas do senador, que ora negocia com os partidos da base para concorrer ao governo, ora articula com o PSDB o apoio para ser candidato ao Senado. Como por mais de uma vez Osmar Dias disse que seria candidato e recuou depois, os articulados admitem estar receosos de anunciar o acordo. Ficou acertado, então, que Osmar Dias é quem confirmará a decisão que tomou, nesta quinta-feira, 24, em Curitiba. O senador passou o dia em Brasília negociando seu destino político com aliados.

 

"Ele saiu daqui candidato, vamos torcer para que chegue lá ainda candidato", confirmou um peemedebista, em tom de brincadeira. "A última informação que tivemos é de que ele aceitou ser candidato ao governo e deve declarar amanhã", confirmou um aliado do PT.

 

Osmar Dias estava receoso de fechar aliança com os partidos da base porque temia que, ao longo da disputa, o PT o abandonasse. Para evitar isso, ele estabelecia que Gleisi Hoffman, mulher do ministro Paulo Bernardo, fosse a candidata a vice-governadora ao lado dele. Gleisi, no entanto, não aceitou a proposta, exigindo ser candidata ao Senado.

 

Negociações com o adversário

 

Na semana passada, Osmar Dias começou a se reaproximar do PSDB. Reclamou para aliados que José Serra, candidato a presidente pelo PSDB, havia telefonado para ele oito vezes em 15 dias, enquanto há dois meses não era procurado pela candidata do PT, Dilma Rousseff. Quando a petista enfim lhe telefonou, errou o nome dele, chamando-o de "Omar", em vez de Osmar.

 

Na sexta-feira (18), consultou o PDT sobre a possibilidade de fechar aliança com o PSDB e ser candidato ao Senado na chapa encabeçada por Beto Richa, candidato ao governo. "Esperei demais. E se eu ainda demorar mais, ficarei sem aliança até para concorrer ao Senado", disse, na ocasião.

 

Ofensiva governista

 

Esta semana, PT e PMDB deram início a uma ofensiva para reverter a aproximação do senador com os adversários. Gleisi Hoffman e o governador do Paraná, Orlando Pessuti (PMDB), desembarcaram em Brasília para se reunir com o senador. Pessuti aceitou desistir do projeto de reeleição para apoiá-lo. Mas o senador continuou insistindo na chapa com Gleisi na vice.

 

Coube ao presidente do PDT, Carlos Lupi, dar o ultimato. Segundo articuladores, Lupi disse ao senador que o partido não permitiria a coligação dele com o PSDB. Se fizesse aliança informal com os tucanos, não teria ainda assim permissão para subir no palanque de José Serra. Seria, assim, um constrangimento figurar ao lado do PSDB e do DEM sendo voz dissonante apoiando Dilma Rousseff.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.