Ernesto Rodrigues/Estadão
Ernesto Rodrigues/Estadão

Os temas do 1º de maio no governo Dilma

Relembre como foram os atos organizados pelas centrais durante o primeiro mandato da petista

Mateus Coutinho, O Estado de S. Paulo

01 de maio de 2015 | 08h13

São Paulo - Histórico aliado das centrais sindicais, o PT passa por um momento delicado com o movimento sindicalista neste começo de segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Com a nomeação do ortodoxo Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda e a implementação de um ajuste fiscal com mudanças em benefícios trabalhistas o governo vem causando críticas na própria base e em sindicatos que, desde o primeiro mandato, apoiaram Dilma.

As posições dos sindicatos se refletem principalmente nos atos marcados para este 1º de maio, Dia do Trabalho e quando são realizadas as tradicionais comemorações das centrais sindicais, que também aproveitam a data para expor suas reivindicações.

Relembre como foram as celebrações de 1º de maio durante o primeiro mandato de Dilma:


2011- Imposto sindical e inflação:


Contexto da época: Um ano após Dilma ser eleita com amplo apoio das centrais sindicais,os atos de primeiro de maio foram marcados pelo debate entre as duas maiores centrais - CUT e Força Sindical - acerca do imposto sindical, contribuição obrigatória dos trabalhadores e principal fonte de financiamento do movimento sindical e pelo embate entre o governo e a oposição em relação à inflação. A CUT, ligada ao PT, defendia o fim da contribuição e a Força Sindical defendia a manutenção do imposto. 


Pronunciamento: Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV às vésperas do 1.º de Maio, a presidente Dilma Rousseff anunciou o lançamento do programa Brasil Sem Miséria e defendeu "jogo duro" contra a inflação. Neste ano a presidente foi diagnosticada com pneumonia e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gilberto Carvalho foi aos atos em seu lugar, prática que se repetiu nos anos seguintes. 


Atos: O tucano Aécio Neves participou no ato organizado pelas centrais Força Sindical, UGT,CGTB, Nova Central e CTB na capital paulista e capitaneou o discurso da oposição ao criticar a "omissão" do governo no combate à inflação. O também tucano Geraldo Alckmin chegou a ser vaiado no evento. Presentes nos eventos da Força Sindical e no da CUT, que foram separados devido ao impasse sobre o imposto sindical, Gilberto Carvalho rebateu as acusações da oposição e leu uma carta de Dilma dizendo que não permitiria que a inflação voltasse a "corroer o poder aquisitivo dos trabalhadores".

2012-  Elogios: 


Contexto: Em meio aos altos índices de popularidade da presidente, que chegou a atingir a aprovação pessoal de 77% segundo pesquisa Ibope, e ao ambiente de disputa eleitoral nas prefeituras, as principais centrais sindicais apoiaram o pronunciamento de Dilma na TV na época e os atos foram marcados pela ausência de líderes do PSDB principal sigla da oposição ao governo e que tradicionalmente marca presença nas celebrações da Força Sindical.



Pronunciamento: Às vésperas da comemoração, a presidente fez um duro ataque os bancos ao classificar de "inadmissível" o custo dos empréstimos no Brasil e recomendar às instituições privadas seguirem o "bom exemplo" dos bancos estatais, que já fizeram pelo menos duas rodadas de corte de juros."É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com os juros mais altos do mundo", desabafou Dilma.


Atos: Os presidentes das duas principais centrais sindicais do País , CUT e Força Sindical, aproveitaram o ato de 1º de maio para sair em defesa do pronunciamento da presidente Dilma às vésperas da comemoração."Ninguém aguenta mais comprar uma televisão e pagar três.  Mas eu acho que a presidente Dilma tratou desse assunto seriamente e isso mostra que nós ganhamos a opinião dela", afirmou o deputado e presidente da Força Sindical, Paulinho da Força (PDT-SP), atualmente um dos maiores opositores do governo. 


Já o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, disse que "a presidente Dilma respondeu à nossa reunião, feita há um mês, onde colocamos que ela tinha de ter mais ousadia com o sistema financeiro".  "Ela tinha de cobrar mais a redução do spread bancário e utilizar os bancos públicos para isso", disse o sindicalista, que participou da festa de 1.º de Maio organizada pela 


Os atos também foram marcados pela ausência dos tucanos Geraldo Alckmin, José Serra e Aécio Neves, que alegaram problemas pessoais e de saúde para não conseguir ir nas comemorações. A ausência dos tucanos ocorreu, coincidentemente, alguns dias após o PSDB organizar evento de lançamento de seu núcleo sindical, que reuniu Serra, Aécio e outros caciques da legenda.

2013 - Inflação:


Contexto: Há um ano da disputa eleitoral para a Presidência, os atos de 1º de maio foram utilizados pela oposição para criticar o governo. 

Pronunciamento:  A presidente fez um pronunciamento na véspera afirmando que o combate à inflação era permanente.


Atos: Diferente do ano anterior, o senador tucano Aécio Neves marcou presença no evento da Força Sindical e fez duras críticas à política econômica do governo Dilma que, segundo ele, tratava com "leniência" o aumento da inflação. O então governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência, Eduardo Campos (PSB) não compareceu ao evento da Força, mas enviou emissários de seu partido que se uniram à retórica tucana e endossaram as críticas sobre a sombra da inflação. 


Diferente do ano anterior, Paulinho da Força (PDT-SP), que estava se aproximando de Campos na época, fez duras críticas ao governo Dilma e disse que "ninguém a aguenta" mais na Presidência. Como nos anos anteriores, o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gilberto Carbalho participou dos atos representando a presidente e disse que a petista agia como "uma leoa" contra a alta dos preços. Apesar do apoio da CUT nos atos, o presidente da entidade, Vagner Freitas  cobrou a redução da jornada de trabalho e ameaçou organizar protestos caso o governo não atendesse às reivindicações dos sindicalistas.

2014 - 'Pacote de bondades': 


Contexto: Com a queda da popularidade da presidente e os primeiros desdobramentos da Lava Jato em pleno ano de disputa eleitoral, Dilma anunciou às vésperas do 1º de maio um "pacote de bondades" que incluía reajuste da tabela do Imposto de Renda e do Bolsa Família. Ao mesmo tempo, os opositores Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) articulavam suas candidaturas e não poupavam as críticas à presidente.


Pronunciamento: Além de anunciar medidas populares como a correção da tabela do Imposto de Renda e o reajuste do Bolsa Família, a presidente utilizou seu discurso em rede nacional para rebater ataques dos adversários sobre a política econômica do governo e a crise na Petrobrás.  Pré-candidata à reeleição, Dilma disse ainda que pretende "continuar a política de mudanças" para "os pobres e a classe média". 


Atos: O elogio ao discurso da presidente Dilma nas vésperas prometendo a manutenção da política de valorização do salário mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda marcou a festa promovida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Central dos Sindicatos do Brasil (CSB) na capital paulista. "Foi um dos melhores pronunciamentos dela por atender à classe trabalhadora", disse Vagner Freitas, presidente da CUT.


O público jovem, contudo, perdeu a paciência durante os discursos e vaiou indiscriminadamente quem tentou falar.  Nas duas vezes em que o nome de Dilma foi citado as vaias aumentaram. Os opositores Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Cunha (PSB) utilizaram ao ato da Força Sindical como palanque para criticar a presidente.

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